Sombras e Desafios...


archives

Powered by Blogger

 


   Quinta-feira, Novembro 03, 2011  
teste
   posted by resomar at 11/3/2011 01:10:22 PM


   Domingo, Janeiro 17, 2010  
Em breve retornaremos
   posted by resomar at 1/17/2010 11:32:27 AM


   Quinta-feira, Dezembro 27, 2007  
teste
   posted by resomar at 12/27/2007 08:16:32 PM


   Quarta-feira, Outubro 03, 2007  






DOM HELDER,
PASTOR E PROFETA,
edições Paulinas.


O quarto número da Revista – Perspectivas Teológico-Pastorais, com 175 páginas, é dedicado ao Dom Helder com artigos e documentos sobre a ação pastoral durante os 20 anos de episcopado.
Escrevem na referida revista: José Comblim, José Ernanne Pinheiro, Sebastião Armando Soares e outros.
A revista inicia com os dados biográficos do Dom, suas atividades e atuação, prêmios e livros publicados.

No texto de Comblim é enfatizado o novo modelo de servir à Igreja de acordo com o Vaticano II, bem como a necessidade dos bispos serem engajados nos problemas sociais, tendo a CNBB ( Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) o objetivo de estudar tais problemas.
A presença do Dom, diz Comblim, é vista como profeta doTerceiro Mundo, ainda que sua mensagem nem sempre tenha sido entendida, como também a de Jesus não foi.

No depoimento de José Ernanne é ressaltada a sua trajetória pastoral, valorização dos movimentos leigos e sua opção pelos pobres, tornando-se a Esperança dos que esperam contra toda Esperança.

Sebastião Armando faz uma reflexão sobre a caminhada da Igreja contraditória e do papel do Dom no mundo de tendências democratizantes e socializantes.

O assassinato do Padre Henrique é abordado por um aluno-seminarista, através de uma rápida biografia e sua atuação na pastoral universitária.
Longe de amedrontar ou recuar os que lutavam na mudança de estruturas, a morte causou maior unidade na causa.

É feita uma análise da Comissão de Justiça e Paz na arquidiocese de Recife e Olinda a partir dos documentos da Igreja, acentuando as realidades de injustiça, atividades desenvolvidas, dificuldades encontradas e as perspectivas para o futuro.

A revista prossegue com a mensagem do Dom na sua posse como arcebispo no dia 12.04.64 onde ele deixa bem claro seus objetivos: quem é e para que veio!
Aponta as responsabilidades dos cristãos.
Em seguida há uma outra mensagem de D.Helder ressaltando a missão da Evangelização da Igreja e de como ela deve agir diante das injustiças.

Na ocasião em que foi conferido o título de Cidadão Pernambucano, faz um discurso na Assembléia Legislativa do Estado em 25.09.67.

Há ainda outros discursos do Dom, sempre ressaltando suas marcas e missão, enfatizando que a Igreja é a continuadora de Cristo, sempre atenta às estruturas injustas.

A revista finaliza com algumas cartas endereçadas ao Dom, entre elas a de João Paulo II, no seu Jubileu Sacerdotal em 16.08.81.
Dom José Maria Pires fez a homilia.

Obs: Leitura e síntese realizado em jul-ago/2007 ( resomar)

   posted by resomar at 10/3/2007 08:07:35 PM  






INDAGAÇÕES SOBRE UMA VIDA MELHOR,
de Dom Helder Câmara


O livro com 100 páginas traz a marca do autor que é a sua preocupação por um mundo mais justo, fraterno e cristão, onde todos possam viver melhor, com dignidade e esperança.
O livro é resultado de suas viagens à França.
A revista La Vie, em junho de 1983, decidiu selecionar as perguntas mais freqüentes que foram feitas ao Dom e em conjunto com os comitês diocesanos de informação, associações e momentos engajados na luta pela solidariedade, paz e justiça e assim num auditório ocorreu o evento.

As preocupações vividas de crianças, jovens, adultos, classes sociais distintas, exigia do autor, clareza e coerência nas respostas, mas também um discernimento inteligente, pois alguns questionamentos visavam ouvir receitas mágicas ou programas fantasiosas.
O conteúdo das perguntas variou entre:
- curiosidade sobre sua pessoa;
- qual o sentido da oração e da esperança na sua vida;
- suas idéias acerca de Deus, religião, papa, Igreja, instituição;
- sua posição diante do capitalismo e comunismo; violência e não-violência; terceiro mundo.

A preocupação de todos era como concretizar tais lutas na transformação do mundo.


Obs: Leitura e síntese realizada em julho/2007 (resomar)

   posted by resomar at 10/3/2007 05:25:36 PM


   Quarta-feira, Agosto 22, 2007  






DOM HELDER CÂMARA
PROFETA PARA OS NOSSOS DIAS,
de Marcelo Barros, Editora Rede da Paz.


O livro com 190 páginas reconstrói fatos ocorridos na vida de D.Helder Câmara.
O autor, monge beneditino do Mosteiro da Anunciação do Senhor em Goiás/GO, descobriu no Dom uma fonte de vida e sabedoria. Dele escutou "não deixe cair a profecia" e após a sua morte, sentiu-se chamado a repassar alguns fatos históricos vividos com o mesmo e observados no contacto com outras pessoas.
A linguagem simples e fundamentada nos incentiva a prosseguir na leitura, sobretudo por não se tratar de fantasias, mas de situações de vida...

O autor criou um estilo especial para concretizar seu projeto.
Após cada capítulo, há um resumo da herança deixada a nós pelo Dom, seguida por um poema-oração como início de um novo capítulo.

Encontraremos no livro os princípios que nortearam o cotidiano do Dom, suas preocupações, sonhos, lutas, dores...
O autor ao lhe perguntar de onde ele tirava tanta energia, escutou:
"Bebo esta força do convívio íntimo e permanente com Deus" ( p.66)
E sabemos que o seu tempo predileto para essa intimidade era em cada madrugada ( despertava pelas duas e meia para “namorar com o amor”).

O autor repassa um tempo privilegiado intercalando com lições deixadas a cada um de nós...


Obs: Leitura e síntese maio-agosto/2007 (resomar)

   posted by resomar at 8/22/2007 04:56:30 PM


   Quarta-feira, Agosto 08, 2007  






MIL RAZÕES PARA VIVER
(Meditações do Padre José),
de D. Helder Câmara, Civilização Brasileira.


O livro com 101 páginas contém 180 pequenos poemas do autor.
Em cada uma, uma profunda reflexão da vida, daí o título escolhido.
Tudo é motivo para a contemplação e aprendizagem e assim o dia a dia deixa de ser mera circunstância para ser um momento de graça, mistério gratuito do amor de Deus a cada um especialmente.

Importa para o autor repartir o pão, a justiça e a paz...


Obs: Leitura e síntese em julho/2007 (resomar)

   posted by resomar at 8/8/2007 08:45:47 PM  






EM TUAS MÃOS, SENHOR!
de Dom Helder Câmara, Paulinas


O livro com 84 páginas faz parte da coleção "oração dos pobres".
São 37 poemas do Dom, em dimensão de orações.
Os temas abordados fazem parte das preocupações do autor:
- luta pela evangelização;
- o amor que impulsiona o coração humano e que se difunde em infinitas manifestações;
- como lidar com pessoas esmagadas e corações pisados;
- a injustiça que atinge níveis profundos.

O autor finaliza dizendo:
"... o que interessa,
e eu te suplico,
e de antemão te agradeço,
é que não só a mim,
a todos nós,
a tua luz
guie sempre
os nossos passos!"


Obs: Leitura e síntese em julho/2007 (resomar)

   posted by resomar at 8/8/2007 08:03:46 PM  





ROSAS PARA MEU DEUS,
de Dom Helder Câmara, Paulinas.


O livro com 69 páginas e 65 poemas do autor é uma homenagem aos 65 anos de seu sacerdócio ( 1931 -15 de agosto 1996). São meditações cujo tema central é a rosa ( símbolo do Amor).
Algumas fotografias de rosas intercalam os poemas e em cada um deles há não somente uma reflexão, mas um questionamento sobre a nossa opção de viver.
Sentimos no seu jeito de escrever a acolhida especial que o autor dedica aos pobres e aos pequenos e a sua filosofia "pé no chão".

"... que o espinho é da essência da rosa como o sofrimento é da essência da vida." (pág.28)


Obs: Leitura em abril/2007
Síntese em julho/2007 (resomar)

   posted by resomar at 8/8/2007 06:39:13 PM  






ORAR 15 DIAS COM DOM HELDER CÂMARA,
de Marie-Jo Hazard, Edit. Santuário.


O livro com 118 páginas é escrito por Marie-Jo Hazard, jornalista especialista em assuntos religiosos e países do Terceiro Mundo. Ela constatou a miséria, a vida dos pobres e o comprometimento do Dom com esse povo.
Na introdução é explicado o objetivo do projeto da autora, tendo em visto o seu amor livre e a colocação de sua liberdade a serviço de sua opção.

A consciência de ser profeta predominou toda a vida de Dom Helder.
Uma síntese biográfica segue após a introdução ( nasceu em 1904 e faleceu no dia 27.08.1999) para entendermos o seu berço, família e passos importantes na Igreja, tais como a criação de alguns órgãos.
Seu lema como bispo foi: Em Tuas mãos

Durante os 15 dias poderemos refletir com o autor sobre:

- a convicção como ele percorre os caminhos do mundo inteiro, percebendo pessoas pobres e ricas;

- a injustiça gritante e a sua entrega: "Colocarei tudo o que o Senhor me confiou a serviço dos pobres."

- não esperar passos milagrosos, mas trabalhar sem medo do compromisso. "Crer no milagre e dele participar."

- a realização do Concílio Vaticano II (1962) pelo papa João XXIII, saindo dele uma igreja renovada, mais evangélica e ecumênica, mais próxima dos pobres e capaz de avançar o diálogo e contribuir para o progresso da paz no mundo.

- "os sem voz devem poder tomar a palavra e adquirir os seus direitos."

- a pergunta: quem não precisa se converter? nos ajuda a enfrentar a nossa história pessoal e social.

- o questionamento se faz presente no engajamento, ainda que se corram riscos.

- a perseguição sofrida de "bispo vermelho" devido sua consagração aos pobres e sua caminhada combatendo e defendendo arbitrariedades.

- o "templo de glória" vivido na CNBB ( Conferência Nacional dos Bispos do Brasil ) ou no CELAM ( Conselho Episcopal Latino-Americano) tem uma direção, conversão, aprendizado do despojamento total.
Convém ressaltar que passou 14 anos de silêncio total de 1985 a 27.08. 1999 ( como uma noite interminável).

- a bomba da miséria é a pior das bombas.

- o Evangelho libertador carrega uma palavra que é antes de tudo bíblica, mas foi considerada com desconfiança e realmente houve excessos.

- "Quem tem Jesus Cristo não precisa de Marx!" ( Dom Helder)

- não podemos nos esquecer da relação permanente do Dom com Deus; a Eucaristia no centro de sua vida e assim é permanente também a sua abertura a todos sem exceção.

- o carinho pelos artistas ( intérpretes da criação) faz dele também um deles. Contemplamos como ele se exprime com todo o seu corpo.

- "Com ele acreditamos que todos somos profetas para ser a voz dos sem voz, educar, libertar e anunciar a Boa Nova. O profeta, segundo BOFF é o homem da palavra, que denuncia, consola e constrói o homem utópico..."


Obs: Releitura em maio/2007
Síntese em julho/2007

   posted by resomar at 8/8/2007 06:03:12 PM


   Terça-feira, Agosto 07, 2007  






O DESERTO É FÉRTIL,
de D.Helder Câmara, Civilização Brasileira.


O livro com 105 páginas, escrito em 1975, tem o objetivo de ser um roteiro para as minorias Abraâmicas.
Nessas páginas encontramos o pensamento do autor acompanhado de algumas preces.
A seguir algumas idéias básicas do livro:

a) A importância da fraternidade e do caminhar juntos independente de crença ou nacionalidade.
A essência da vida consiste no serviço e na crença da esperança.

b) Anular a alma pequena e mesquinha tornando-se magnânima. O egoísmo é fonte de infelicidade.

c) Necessidade de escutar o clamor dos oprimidos, pois nele está a voz de Deus.

d) Romper preconceitos e abrir-se às idéias contrárias. "Se discordas de mim, tu me enriqueces."

e) Na opção de ser peregrino a travessia de desertos e a certeza de que Ele nos sustenta.

f) Dedicar a vida a uma causa requer sabedoria e luta, sem temer o cansaço e peregrinação.

g) Sem um trabalho pessoal é impossível ajudar a humanidade no processo de libertação.

h) A mais sangrenta e vergonhosa guerra é a da miséria.

i) O caminho para a paz necessariamente passa pela justiça e será necessário criar condições reais para sua concretização.

j) A educação libertadora surge como única alternativa de conscientização e de perspectivas de abertura e humanização.

O livro finaliza com a prece de Francisco de Assis, antecipado por uma reflexão sobre a urgência de abrirmos os nossos olhos para mergulharmos no projeto de reconstrução de um mundo mais justo e humano.


Obs: Releitura em março/2007
Síntese em julho/2007 (resomar)

   posted by resomar at 8/7/2007 11:32:32 PM  





UM OLHAR SOBRE A CIDADE,
de Dom Helder Câmara, Paulinas


O livro com 149 páginas, contém 63 crônicas lidas pelo autor ao microfone da Rádio Olinda de Pernambuco, no ano de 1982.
Em cada crônica há uma mensagem de amor, esperança, fraternidade.
Veremos alguns tópicos abordados:

1 - Importância sobre o olhar.
"Não basta abrir os olhos para olhar..."
É preciso saber parar para ver o que nos cerca no dia-a-dia; o que muda, o que se torna um desafio, os problemas que se multiplicam.

2 - Necessidade de fazer opção pelos pobres; celebrar momentos, sintonizar com as necessidades do povo.

3 - Poeticamente recorre às estrelas e suas lições que precisamos aprender; transforma em oração fenômenos da natureza: "Faze de mim um arco-íris, que anuncie a paz, a esperança e o amor."

4 - Na sintonia musical, a descoberta da mensagem que as árvores nos transmitem através de sua dança.

5 - Preces que brotam da terra e de situações do cotidiano.
"Que pena eu sinto de quem atravanca e atropela de tal modo a vida que nunca descobre tempo de parar diante de uma árvore, ou de assistir a uma aurora ou a um pôr-do-sol..."

6 - Como Francisco de Assis, D.Helder contempla as flores, animais, crianças, aves, numa dimensão mística/humana.

7 - Enfatiza a sede de eternidade e sentida por todos nós de infinito, apregoando a necessidade do amor tomar conta do mundo.

8 - Finalizando, uma súplica belíssima:
"... desapareça eu mesmo de tal modo em ti que sejas sempre tu quem ensine, quem pregue, quem reze..."


Releitura realizada em maio/2007
Síntese em julho/2007 (resomar)

   posted by resomar at 8/7/2007 10:17:43 PM


   Quarta-feira, Maio 23, 2007  





AS PALAVRAS QUE NINGUÉM DIZ,
de Carlos Drummond de Andrade (crônicas)

da coleção Mineiramente Drummond,
Editora Record, 2005


O livro com 121 páginas contém 19 crônicas selecionadas por Luzia de Maria, notas, comentários, glossário e os principais dados biográficos do autor: nasceu em Minas Gerais ( 1902 ) e logo cedo despertou para a literatura tornando-se um dos mais conhecidos autores brasileiros em diferentes países.

No dia 05.08.1987 morre sua filha Julieta; 12 dias depois, a 17.08, falece o poeta.

O conteúdo das crônicas retrata cenas do cotidiano: espera em uma bilheteria de cinema, brigas na rua, conversas na delegacia entre filhos e pais, jovens e enamorados...
Algumas são interessantes apresentando uma dimensão de enriquecimento do vocabulário ocorrido em diálogos, pois ex: entre médicos que se utilizam de termos específicos.


Leitura e síntese (resomar) - 25.02.2007


   posted by resomar at 5/23/2007 09:19:34 PM


   Quarta-feira, Abril 11, 2007  






VIA-SACRA
Para quem quer viver,
De Leonardo Boff, Editora Versus


O livro com 130 páginas é uma retomada da Via-Sacra da Justiça, do mesmo autor.
Foram realizadas algumas correções e acréscimos recebendo o título acima.
Na Introdução há uma reflexão sobre o objetivo da Teologia que não pode ser simplesmente um "discurso racional e articulado da fé", mas deve levar a passos de compromissos com outros e com a sociedade.

O autor baseou a sua Via-Sacra nas estações tradicionais ( títulos), mas em cada uma delas deu o seu toque pessoal: figura estilizada, abordando em duas dimensões cada reflexão: naquele tempo e hoje.

É um livro que deve ser lido à luz dos questionamentos, exigindo de nós uma resposta: opção de assumir a (re)construção de uma sociedade mais justa. Nele nos confrontamos com alguns (pre)conceitos imersos talvez (in)conscientemente no dia a dia...

É Tempo de gritar ao mundo que a esperança não decepciona e que nada está consumado!


Obs: Leitura e síntese realizada em fevereiro/2007 ( resomar)

   posted by resomar at 4/11/2007 09:53:57 PM


   Domingo, Abril 08, 2007  







ALÉM DA FRONTEIRA,
de Elisa Lispector, José Olympio Editora, 1988


Sobre a autora:

Elisa nasceu na aldeia de Sawranh na Ucrânia, chegando ao Brasil ainda menina.
A partir de 1947 passou a dedicar-se também ao jornalismo.


O romance, com 102 páginas, trata em um estilo insinuante de temas existenciais...
O personagem principal - Sérgio - percorre o livro em situações de solidão, incerteza, dor, mas numa perspectiva de esperança.
Antônio Carlos Villaça que escreveu as "orelhas" do livro diz: "Mas há uma grande sensação de leveza a invadir estas páginas escritas sob o signo da mais funda angústia existencial, uma angústia metafísica que acompanha a obra inteira."
Continua Villaça: " A romancista sabe e nos diz que 'a corrente da vida é mais forte'!

O livro nos incita a uma reflexão-confronto e deve ser "degustado" lentamente...


Algumas frases do livro:

- "Achava difícil dar nome ao grito que o chamava para a vida."

- "Sou livre", pensou, "mas é como se a raiz de mim tivesse sido arrancada. Assim me perco e me extravio."

- "Porque a sensibilidade dorme, mas a mente lateja com as pulsações do cintilar de uma estrela."

- "Não, não tem sido imaginação apenas. Aí estão os vestígios dos anos, e os estigmas do desespero."

- "Escrevendo, revivendo, talvez extirpe o mal, digo comigo, mas a verdade é que quanto mais toco na ferida, mais ela sangra."

- Repentinamente invadira-a um sensabor desmesurado, feito de tédio e de angústia.

- Abrigou-se nas trevas.

- Quisera poder absorver mais ar, varar o espaço, encurtar distâncias.

- ... porque o mistério é suficiente em si, e ultrapassa a força do silêncio.

- O futuro é cada instante que criamos através de nossa vivência. O amanhã é o a partir do momento em que o esperamos.

- É a existência do sofrimento que nos faz mais conscientes dos instantes de felicidade.

- A vida tem um sentido mais alto que se sobrepõe a todas as contingências.

- "Sinto que também o meu crepúsculo se aproxima."


Obs: Leitura iniciada em jan/2004 e concluída em fev/2007
Excelente livro!
-
   posted by resomar at 4/8/2007 09:07:23 PM


   Sexta-feira, Fevereiro 02, 2007  






VIDA E MISSÃO NESTE CHÃO
Campanha da Fraternidade 2007
(Fraternidade e Amazônia)


O livro ( síntese do manual, contém 32 páginas) aborda o tema da Campanha da Fraternidade - CF - de 2007: Fraternidade e Amazônia e o lema: Vida e Missão neste chão, em 3 dimensões: Ver, Julgar e Agir.

O objetivo principal de todas as CF é "avivar a consciência sobre a responsabilidade de cada um a partir de temas importantes que precisam de uma reflexão/ ação maior."

O cartão postal da CF está retratado na capa que contém significados explicados na última página do livro.
Na parte superior vemos a terra seca com fraturas/dificuldades.
Na água abundante reina a ¿vitória régia¿ ( símbolo da Amazônia).
As 3 flores brancas e amarelas simbolizam a Sant.Trindade e a criança toda a comunidade que carrega seus sonhos e crenças.
Nesse contraste entre a terra seca e a abundância das águas, reside a esperança de buscar alternativas para os problemas que desafiam a região.

Alguns itens abordados:

1 - Necessidade do conhecimento da região: sua riqueza natural, população, valores, invasão - agressão em nome de um modelo econômico e cultural provocando danos materiais e humanos.

2 - Urgência de dar uma resposta aos problemas da região à luz do Plano de Deus, para a terra, levando em consideração diferentes e contraditórios conceitos (relações entre a natureza e ações humanas; produção e propriedade)

3 - As condições da sociedade diferem mas os problemas são os mesmos abordados e denunciados pelos profetas Oséias, Amós e pelo Evangelho.

4 - Importante a observação feita na página 20 de que a situação de desigualdade, fome, injustiça, poderio, não ocorre somente na Amazônia, mas no mundo todo.

5 - Dar o apoio às lutas de iniciativas populares de caráter político, econômico, social e cultural.
Analisar os problemas, é o primeiro passo para prosseguir na particip+ação.

Não poderíamos deixar de transcrever o poema de Thiago de Mello ( poeta amazonense) que se encontra na página 23



Quando a verdade for flama*


As colunas da injustiça
sei que só vão desabar
quando o meu povo, sabendo
que existe, souber achar
dentro da vida o caminho
que leva à libertação.
Vai tardar, mas saberá
que esse caminho começa
na dor que acende uma estrela
no centro da servidão.
De quem já sabe, o dever
(luz repartida) é dizer.
Quando a verdade for flama
nos olhos da multidão,
o que em nós hoje é palavra
no povo vai ser ação.

Thiago de Mello

In: Mormaço na floresta. 3ªed. [1993]. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1984



Leitura e síntese 09.01.2007 (resomar)

   posted by resomar at 2/2/2007 08:26:08 PM


   Quarta-feira, Janeiro 24, 2007  







DISCURSO DE BENTO XVI
aos representantes do Mundo Científico e Cultural da Baviera na aula magna da Universidade de Regensburg no dia 12.09.2006.

Idéias principais:

O referido discurso, cujo tema "Fé, razão e universidade. Recordações e reflexões" ocorreu na viagem apostólica do Papa Bento XVI a München, Altötting e Regensburg ( 9 - 14 de setembro de 2006) e deve ser lido na íntegra para melhor compreensão de sua mensagem.

Alguns tópicos foram abordados:

1 - Relação entre a religião e a violência...
Foram utilizadas algumas citações do imperador bizantino Manuel II, Paleólogo ( 1391 ) onde o mesmo "explica as razões pelas quais a difusão da fé mediante a violência é irracional."

"A violência está em contraste com a natureza de Deus e a natureza da alma."

"Deus não se apraz com o sangue..."

"Não agir segundo a razão, é contrário à natureza de Deus."

"A fé é fruto da alma, não do corpo."


- Importância da ausência da violência e da ameaça para levar alguém à fé...

2 - Para a doutrina muçulmana Deus é absolutamente transcendente!

"Deus não é mais divino pelo fato de que o afastamos para longe de nós..."

"... o Deus verdadeiramente divino é aquele que age cheio de amor em nosso favor."

"O amor, como diz Paulo ( Ef 3,19) ultrapassa o conhecimento..."

- Necessidade da razão e fé estarem unidas de uma nova forma, tendo o seu lugar na universidade num amplo diálogo das ciências.

- Quando a razão, diante do divino, se torna surda, rejeitando a religião no âmbito das subculturas, ela se torna incapaz de se inserir no diálogo das culturas...


3 - Para a Filosofia e Teologia = necessidade de ouvir experiências e convicções das tradições religiosas da humanidade = fonte de conhecimento.
Recusar-se a essa dimensão significa uma "limitação inaceitável do nosso ouvir e responder."

- Não podemos recusar os questionamentos fundamentais da razão...
"Não agir segundo a razão, não agir com o logos, é contrário à natureza de Deus." (Manuel II)


Leitura e síntese do discurso do Papa Bento XVI
07.09.2006 (resomar)

   posted by resomar at 1/24/2007 11:01:37 PM


   Sábado, Agosto 05, 2006  






DEUS É AMOR,
Carta Encíclica de Bento XVI

A carta, com 52 páginas, é destinada a todos ( bispos, presbíteros, diáconos, consagrados e leigos) e tem como objetivo "falar do amor com que Deus nos cumula e que deve ser comunicado aos outros por nós."

O título originou-se de 1Jo 4,16: Nós conhecemos e cremos no amor que Deus nos tem.
Na Parte I, o papa Bento XVI ( o atual papa da Igreja Católica) ressalta a importância de uma unidade do amor e sobressai o amor entre o homem e a mulher como arquétipo de amor por excelência...

É importante a leitura de todo o documento para o entendimento do objetivo do autor.
Contendo abordagens psicológicas e filosóficas, é transmitido ao leitor fundamentos necessários e básicos para podermos entender outras dimensões...
Analisa palavras gregas, como eros e ágape para o perfeito conhecimento de palavras utilizadas nos textos bíblicos, tais como amor e amizade.

O amor, diz Bento XVI, compreende a totalidade da existência , inclusive a temporal.
Após as colocações acima, inicia uma reflexão sobre Jesus Cristo o amor encarnado de Deus, dando ênfase à "mística do sacramento que deve ter um caráter social."

Corajosamente diz: "Uma Eucaristia que não se traduza em amor concretamente vivido é em si mesma fragmentária."
A carta se destaca por dar enfoques facilmente assimilados...
"O reconhecimento do Deus vivo é um caminho para o amor..." e prossegue o autor: "mas isso é um processo que permanece continuamente em caminho: o amor nunca está 'concluído' e completado, transforma-se ao longo da vida, amadurece..."

- "Eu vejo com os olhos de Cristo e posso dar ao outro muito mais do que as coisas externamente necessárias: posso dar-lhe o olhar de amor de que ele precisa."

Na Parte II é tratado a prática do amor pela Igreja enquanto Comunidade de Amor, dando destaque a alguns elementos às vezes confusos entre nós, como:justiça e caridade e menciona o objetivo da doutrina social da Igreja.
Continua dizendo que "os seres humanos necessitam de humanidade, precisam da atenção do coração."

O programa do cristão é "um coração que vê" e não somente vê, mas atua em conseqüência...

-"O cristão sabe quando é tempo de falar de Deus e quando é justo não o fazer, deixando falar somente o amor."

Bento XVI conclui com um convite:
O amor é possível e nós somos capazes de praticá-lo. Viver o amor e, assim fazer entrar a luz de Deus no mundo.

Obs: Leitura ( março) e síntese ( agosto) realizadas em 2006 (resomar)


   posted by resomar at 8/5/2006 10:20:31 PM


   Sexta-feira, Agosto 04, 2006  







RESPEITA OS TEUS LIMITES
- Fundamentos filosóficos da Terapia da Imperfeição-
de Ricardo Peter, Paulus.


Ricardo Peter nasceu em 28.08.1943 em Manágua ( Nicarágua).
Doutor em Filosofia.
Do mesmo autor: Uma terapia para a pessoa humana.
O livro possui 157 páginas e o autor nos leva através de argumentos objetivos ( racionais)
à tese de que para ser feliz o ser humano deve aceitar-se tal como é...
A idéia da perfeição pode ocasionar rejeição a si mesmo.
Os fundamentos apontados pelo autor são enraizados na psicologia, filosofia e teologia.
O erro, diz Peter, constitui a matéria prima da vida.

Alguns pensamentos do autor no livro:
- Aceitar as próprias limitações é a tradução mais apropriada da expressão "aceitação de si mesmo".

- É necessário abraçar o limite.

- A antropologia do limite propõe-se a desenvolver a compaixão pelo homem.

- É necessário compreender o homem a partir da realidade do limite.

O autor faz uma reflexão profunda da conhecida parábola do Filho Pródigo,
destacando aspectos do pai e do filho mais velho.
Todo o livro nos joga em profunda avaliação da vida e da nossa vida...
É um livro para ser lido várias vezes.

- Ser homem é ser um ser insustentável.
O perfeccionista quer agir sem cometer erros, fazer sem se enganar...
É um desejo não realista.
A lógica da perfeição é irreal.

Obs: Leituras realizadas em 2003 e 2005.
Síntese realizada em 2006 (resomar)


   posted by resomar at 8/4/2006 06:23:54 PM


   Quarta-feira, Abril 12, 2006  





PERTO DO CORAÇÃO SELVAGEM,
de Clarice Lispector,
Francisco Alves Editora



Conhecer as obras da Clarice Lispector é inicialmente uma disposição.
"Aceitar a sintonia com a C.Lispector pressupõe condições: criar dentro de si um silêncio
em que ela se possa fazer ouvir, uma qualidade de escuta, uma disponibilidade,
indispensável a esse encontro." ( Perto do Coração Selvagem, pág 7)

Escrever era um ato natural para a Clarice, como respirar e andar... assim como um fardo,
do qual dizia querer liberar-se, mas nunca conseguia...
"Não tenho vocação para o suicídio" dizia ela.

Perto do Coração Selvagem, com 224 páginas, foi o seu primeiro romance,
publicado em 1942 e nele sentimos um estilo diferente, pronto.
Clarice escrevia por surtos, em ritmo intermitente e por isso causou um forte impacto na crítica da época.

O romance gira em torno de Joana, uma menina, depois mulher e diferente.
A narrativa acompanha a personagem que não tem rosto e nem o perfil, mas a sua estória, suas memórias.
A alma de Joana atribulada e estranha é objeto do romance e dela jorram palavras, atitudes.
Há frases que nos fazem parar, retornar outra vez ao lido e nesse ritmo,
sentimos a racionalidade da existência através da autora.
Na apresentação do livro, Rosiska Darcy de Oliveira, professora de Literatura Brasileira
em cursos de pós-graduação da PUC do Rio, diz: Perto do Coração Selvagem é o frasco de essências da obra da Clarice.
A maturidade e as experiências da autora misturam-se a ele e diluíram-no,
refinando seus temas e personagens, que se prolongam em livros posteriores...
O livro, diz Jean Starobinski, Teórico de Literatura, nos interroga.
Portanto, acolhamos o selvagem coração da vida!

"Era inútil abrigar-se na dor de cada caso, revoltar-se contra os acontecimentos,
porque os fatos eram apenas um rasgão no vestido,
de novo a seta muda indicando o fundo das coisas, um rio que seca e deixa ver o leito nu." ( pág.210)

Obs: Leitura e síntese elaborada em fevereiro de 2006 ( resomar)


   posted by resomar at 4/12/2006 04:32:38 PM


   Terça-feira, Abril 11, 2006  





A MONTANHA DOS SETE PATAMARES,
de Thomas Merton,
Editora Vozes


O livro com 381 páginas foi escrito pelo T.Merton já como monge e narra toda a sua vida desde o nascimento.
Sentimos na narração dos fatos um julgamento severo do autor sobre a sua própria pessoa diante de fatos ocorridos.
É importante situarmos o livro no contexto histórico da Igreja ( antes do Concílio Vaticano II - 1962 a 1965 -
e portanto alguns princípios talvez causem estranha sensação no leitor.
Importante também ressaltar a luta permanente, dúvidas e o desejo de acertar e seguir o caminho ( vocação).

A sugestão para quem achar o livro com uma linguagem muito espiritualizada ( foi lançado em 1948 e relançado
em 2005 pela Editora Vozes, devido a imensa procura ), é ler o Diário Intimo do autor,
onde são narrados após a sua morte, fatos verdadeiros, retirados de seus cadernos pessoais
e sentiremos a grandiosidade de sua dimensão humana.
Obs: o resumo do Diário Intimo, já consta nesse blogger.

Toda a sua vida repercute em nós como momentos de reflexão
e observar cada passo nos (re)anima na caminhada.

Obs: Leitura e síntese realizada em janeiro de 2006 ( resomar)

Nesse endereço abaixo, poderemos degustar alguns textos do T.Merton.
Veja abaixo a explicação e objetivo do site.

http://reflexoes-merton.blogspot.com/

- Reflexões de Thomas Merton
Uma coletânea de breves textos garimpados semanalmente nos escritos de Merton. Revestidos de sinceridade e envolvente poesia, convidam o leitor a meditar sobre verdades duradouras!



NAME:SAFTM
LOCATION:RIO DE JANEIRO, BRAZIL
A Sociedade dos Amigos Fraternos de Thomas Merton visa despertar o interesse pela pessoa, vida e obra desse monge que inspira em muitos, a busca da vida contemplativa. Diz ele que a contemplação é "a mais alta expressão de vida intelectual e espiritual do homem" e um fator de renovação de um mundo onde vigore a paz e a justiça.

   posted by resomar at 4/11/2006 09:34:23 AM


   Sábado, Abril 08, 2006  





MADHUBAN,
Em busca das virtudes,
de Anthea Church
Editora Gente.


Um pequeno livro com 70 páginas onde a preocupação é marcar uma das viagens da autora a Madhuban, local entre Montanhas, na Índia.
O dia a dia iniciando com a viagem do grupo é narrado com detalhes onde constatamos os ensinamentos e a magia do lugar.
O objetivo da viagem não é para passar férias, mas para mudar e cada um terá um momento de toques diferentes.
Aprendizagens são assimiladas através de situações do dia-a-dia...

"Nossas lições vem em gotas concentradas ¿ são instantâneas mas duradouras."

"Somos virados pelo avesso aqui por isso, nos vemos de forma diferente."

"Os olhos não mentem, eles apenas evitam."

"Houve mais sabor devido à espera."

Obs: Leitura e síntese elaborada em fe/2006 ( resomar)

   posted by resomar at 4/8/2006 10:12:23 PM  






CLARICE LISPECTOR,
Coleção Nossos Clássicos nº 120
Coordenação de Pedro Lyra ( professor de Teoria Literária da UFRJ)


Um livro de bolso com 162 páginas.
No início há os dados biográficos da Clarice, seguido da apresentação onde foram abordados
a situação histórica do Brasil ( 1921) e um estudo crítico das obras da autora.


Tais dados são importantes para situar cada obra.
Segue-se uma antologia com pequenos textos dos livros:
Perto do Coração Selvagem,
Laços de família,
A Maçã no Escuro,
A imitação da rosa,
A Paixão segundo GH,
Uma aprendizagem amarga ou Livro dos Prazeres,
Felicidade Clandestina,
Água viva,
A Hora da Estrela,
A descoberta do Mundo.

O livro provoca no leitor um desejo de conhecer cada obra e bom será se for feito na ordem cronológica.

Obs: Leitura e resumo realizado em fev/2006 (resomar)

Há uma página www.releituras.com/
onde podemos encontrar vários textos e biografias não somente da Clarice,
mas de vários outros poetas e escritores.


   posted by resomar at 4/8/2006 08:34:23 PM


   Terça-feira, Março 07, 2006  








A TORRE NEGRA,
De P.D.James,
Companhia das Letras


O livro com 347 páginas narra a crise existencial do investigador Dalgliesh, após ser internado no hospital.
Inesperadamente, recebe um convite de um amigo sacerdote para passar alguns dias em sua residência,
mas infelizmente ao encontrar o local da residência do amigo, o encontra morto.
O clima de suspense percorre na vila onde há uma casa de repouso para pessoas inválidas.
Cartas anônimas, outras mortes, outra paixão, se desenrolam e o investigador tenta não se envolver,
pois havia ido para descansar, mas não consegue esquecer o seu objetivo: o motivo pelo qual o amigo padre o havia chamado.
Na parte final do livro, os mistérios são desvendados e o suspense predomina nas narrações...
O investigador não consegue ficar à parte e assume o caso.

Obs: Leitura e síntese elaboradas em fevereiro de 2006

   posted by resomar at 3/7/2006 01:06:45 AM  






NÃO FOI NADA,
de Antônio SKármeta
( autor de O carteiro e o poeta)
Editora Record


O livro com 106 páginas narra em forma de romance a vida de Lucho, desde a infância até a maturidade.
Vivendo em Berlim, no exílio com seus pais e um irmão menor,
depois do golpe militar de 1973 que derrubou o governo de Salvador Allende.
Sentimos o esforço do jovem para se adaptar ao ambiente em todas as dimensões:
amor, relação com as pessoas no dia a dia. Confronta-se com a violência na rua e é perseguido.
O título - não foi nada - se deve ao fato do Lucho ainda sem dominar o alemão, a tudo dizia: Não foi nada.
Em linhas gerais, o autor quer repassar através da vida do Lucho e da sua família, os conflitos sociais,
obrigando a tomada de posição diante da realidade.
A dor da distância é refletida nos diálogos da família do Lucho, quer sonha em ser escritor para contar sua própria história.

Obs: Leitura e síntese realizada em 2005


   posted by resomar at 3/7/2006 12:46:53 AM  





O ENIGMA DE SALLY,
de P.D.James,
Companhia das Letras


O romance com 248 páginas, prossegue no estilo da autora: criativo e num clima de muito suspense.
Narra a vida de uma mãe supostamente solteira, Sally Jupp, mãe de um menino,
indicada para trabalhar na casa de uma família de aristocratas ingleses em decadência.
Devido o seu jeito de ser consegue a antipatia de todos da casa,
com exceção do filho médico. Tal relação afetiva foi causa de um ódio maior da família.
Sally é encontrada morta no seu quarto, após anunciar o seu casamento com o filho da família, Stephen
e é aí que a investigação tem início...
Até o final do livro a incerteza consegue nos dominar e novos fatos vão ocorrendo,
exigindo uma análise ainda mais apurada do detetive Dalgliesh.

Obs: Leitura e síntese elaborada em 2005

   posted by resomar at 3/7/2006 12:09:32 AM


   Segunda-feira, Março 06, 2006  







MORTE DE UM PERITO,
de P.D. James,
Companhia das Letras.


Romance policial com 372 páginas onde narra o assassinato em uma pequena aldeia na Inglaterra,
dentro de um laboratório, de um importante perito - Dr. Lorrimer.
Sua vida sempre foi muito enigmática e muitas descobertas só ocorrerão no término da investigação.
De personalidade difícil, não era estimado pelos colegas e com alguns mantinha uma relação estremecida.
Há um testamento, alguns casos de amor e cartas que serão indícios para o trabalho do detetive Adan Dalgliesh,
da Scotland Yard. Será um longo e minucioso desafio, percorrendo locais abordados,
pessoas e novas ocorrências de outras mortes, que também carregam tons de mistério.
A autora, como sempre ocorre em seus livros, consegue fazer entrelaços entre fatos e dados,
mantendo o inacabado como essência da narrativa e assim o suspense nos acompanha até as últimas páginas.


Obs: Leitura e síntese elaborada em 2005

   posted by resomar at 3/6/2006 09:22:08 PM


   Sábado, Março 04, 2006  





MORTE NO SEMINÁRIO,
de Phyllis Dorothy James
Companhia das letras


O livro com 512 páginas é um romance policial publicado em 2001 na Inglaterra.
Uma morte de um seminarista é considerada como morte natural, mesmo após as investigações locais.
Um investigador famoso e já conhecido por alguns do seminário, a pedido do pai do seminarista morto, é convidado para uma nova análise dos fatos, pois ão aceita a versão do acidente.
No decorrer dos depoimentos, outras mortes ocorrem sempre envolvidas em mistérios.
Todos os moradores do seminário são considerados suspeitos.
O livro se desenrola com dimensões de profundo conhecimento psicológico.


A autora com 81 anos de idade, nasceu em Oxford, Inglaterra em 1920.
Trabalhou no Departamento de Justiça Criminal e assim obteve experiência em relação a situações onde se fazia necessário investigações.
P.D.James como é mais conhecida, iniciou na literatura aos 42 anos de idade e já publicou 16 romances.

Outros romances de P.D.James:
Uma certa justiça
A Torre Negra
O Enigma de Sally
Pecado Original

Obs: Leitura e síntese realizada em maio a junho de 2005

   posted by resomar at 3/4/2006 10:52:17 PM  





O MONGE E O EXECUTIVO,
de James C. Hunter
Editora Sextante, 11ªedição, 2004


O livro com 139 páginas narra de uma maneira simples, objetiva e atraente,
os princípios necessários a um líder e consequentemente se tornam também princípios importantes
na relação com as pessoas.

O autor é consultor chefe de empresas de consultoria de relações de trabalho e treinamento. Mora em Michigan.

Baseado em sua própria experiência, o livro apresenta o personagem de Leonard Hoffman,
um influente empresário americano que após a morte da esposa, abandona tudo em busca de um novo sentido para sua vida.
Com o nome de Simeão, se torna monge beneditino passando a ministrar sistematicamente retiros sobre liderança.

A narrativa do livro gira em torno dessas aulas.
Antes de tudo é importante a definição de toda e qualquer palavra utilizada a fim de que haja
uma interpretação comum do que se está ouvindo ou lendo.

A seguir, alguns elementos refletidos pelo autor:

1 - Ouvir é a principal habilidade de um líder ( escutar sem interromper!)

2 - Liderar não é direcionar, impor, mas ter a habilidade de influenciar a um comportamento que vise o bem comum.

3 - Diferença entre o Poder ( faculdade de forçar) e a autoridade ( habilidade a levar...)

4 - A confiança é como "a cola que gruda os relacionamentos."

5 - O confronto com os paradigmas que norteiam nossa vida. Objetividade e luta na mudança dos mesmos.

6 - Diferença entre necessidade e vontade.

7 - Estabelecer limites para a satisfação de necessidades de segurança e proteção.

8 - A dimensão da palavra amor ( a mesma usada no Evangelho).
Amor no grego = amor incondicional baseado no comportamento e não no sentimento.
A alegria como um sentimento muito mais profundo que não depende de circunstâncias externas.

O livro repassa através de exemplos também dos 5 alunos presentes ao retiro,
noções que são discutidas, até que todos possam entender.

Importante ressaltar a importância de escutar os que não concordam ou desafiam as nossas idéias.


Obs1: Leitura e síntese realizada em 2005

Obs 2: Ver o site da editora
www.sextante.com.br


   posted by resomar at 3/4/2006 10:33:36 PM  




FRAGMENTOS,
Memórias de uma infância: 1939- 1948,
de Binjamin Wilkomirski,
Companhia das Letras.


O livro com 209 páginas trata de uma viagem ao passado em busca da própria identidade.
Podemos classificá-lo como uma auto-biografia.
Binjamin, aos 50 anos de idade, parte para uma aventura desconhecida:
conhecer seu verdadeiro passado, tendo de retornar aos campos de concentração
e locais por onde passou.
Há uma preocupação de todos em relação à criança órfã, adotada,
que esquecesse o que havia visto e sabia,
mas jamais essa dimensão foi conseguida pelo autor que tenta "delinear com palavras"
o que a memória da infância preservou.

É um livro de conteúdo forte e real, imerso em situações de profundo desespero e solidão,
mas de um determinismo também forte: não se deixar vencer pela dor.
No decorrer das narrações, uma "esperança indefinida" que se faz presente
no silêncio e na escuridão...

Obs: Leitura e síntese realizada em 2005

   posted by resomar at 3/4/2006 09:12:13 PM  





O ESTRANGEIRO,
De Albert CAMUS,
da Record

O livro com 126 páginas, escrito em 1957, narra a trajetória de um homem estranho em seu jeito de ser em relação à morte, o amor e a indiferença.
Meursault, personagem principal, não se preocupa com o que possam pensar sobre as suas atitudes, palavras e silêncios, mas se deixa levar pela emoção do momento, não havendo questionamentos sobre a razão de sentir ou de querer algo.
É a descrição de atos praticados e suas conseqüências.

Vivemos dimensões opostas em poucos minutos após...
Podemos dizer tratar-se de um livro auto-briográfico de Camus.
A solidão e o absurdo percorrem todo o livro.
Há a presença de um homem a querer justificar a existência e não a encontra o que procura, convertendo-se num estranho, um estrangeiro para si mesmo.
Um homem que mata e aceita ser condenado à morte...

Algumas observações feitas no livro nos levam à reflexão, tais como:
- "Agora era o silêncio de todas aquelas pessoas que me era penoso..."
- "Eu parecia ter as mãos vazias..."
- "Disse que sim, mas que, no fundo, tanto fazia."
- "Sob o bigode amarelecido, mastigava pedaços de frases."
- "Não gosto nunca de ser surpreendido."
- "Sentia-me completamente vazio... Escutava o meu coração..."
- "Ouviu-se, ainda, o leve ruído de água e de flauta, no coração do silêncio e do calor."

São palavras que nos ajudam em nossos confrontos.
O Estrangeiro deve ser lido com um olhar contemplativo. Se for relido, um novo sabor sentiremos, pois o pensamento nos embriaga e o seu final nos deixa ainda a refletir sobre suas colocações...
¿... eu me abria pela primeira vez à terna indiferença do mundo.¿


Obs1: Leitura realizada em 2003 e releitura em 2005
Síntese elaborada em 2005

Obs2: Há um site na internet muito bom em Português onde podemos ter uma visão mais completa do filósofo através de pensamentos e amostras de textos de seus vários outros livros, tais como:
A Queda
A Peste
O homem revoltado
O Mito de Sísifo
Diário de viagem
O Avesso e o Direito
O primeiro homem

http://filosofocamus.sites.uol.com.br/


   posted by resomar at 3/4/2006 06:15:36 PM


   Quinta-feira, Março 02, 2006  





O CARTEIRO E O POETA,
De Antônio SKármeta,
Editora Record

O livro tem 127 páginas e trata da vida de um carteiro, Mário Jiménez, com Pablo Neruda.
Na entrega diária da correspondência, vai se desenvolvendo uma relação de admiração,
simplicidade, ajuda e amizade...
Paralelamente o autor narra o encontro de Mário com Beatriz a quem ama
e luta para conseguir tê-la ao seu lado. Um filho nasce.
No fundo há o momento político vivido de candidatos à eleição.
Neruda enfermo, desaparece em 23 de setembro de 1973 na Clínica Santa Maria em Santiago.

Obs: Livro lido em 1996 e relido em 2004 e 2005.
Síntese em 2005.

   posted by resomar at 3/2/2006 09:37:54 PM


   Segunda-feira, Junho 27, 2005  






TEREZA,
a santa apaixonada

Autora: Rosa Amanda Strausz, Objetiva, 2005.

O livro da jornalista carioca, de 46 anos de idade, com 193 páginas, tem como objetivo retratar a vida de Teresa de Ahumada Sanchez y Cepeda, conhecida como Tereza d¿Ávila e como Santa Tereza de Jesus na hagiografia católica, a partir do que ela possuía de mais humano.

- A autora faz uma rápida biografia de Tereza, expondo a situação histórica do país. Tereza nasceu na Espanha, no século XVI e faleceu aos 67 anos de idade em 04 de outubro de 1582, depois de ter fundado 18 mosteiros.
Em 1622 foi oficialmente reconhecida como santa e em 1970, proclamada Doutora da Igreja pelo Papa Paulo VI.

- A importância de sua família é analisada. O pai viúvo se casa com Beatriz, mãe de Teresa, que morre aos 32 anos de idade.
- Tereza tem uma vida como jovem muito livre ao ponto de ser enviada ao convento pelo pai, a fim de evitar suspeitas em relação à moral.
- Suas doenças estranhas foram motivo de preocupações e estudos ainda hoje.
- A autora relata suas lutas, retrocessos e paixões, mesmo vivendo no convento.
- Após 20 anos de uma vida medíocre e dividida, mesmo sendo religiosa, Tereza se encontra com uma imagem do Cristo na entrada da capela e se deixa por ela ser tocada.
- Propaga a sua oração mental e enfrenta sérias perseguições e comentários até mesmo no convento onde vive.
- Sentindo-se chamada a uma entrega mais total, propõe a criação de um convento com a rigidez do Evangelho, sem as mordomias do convento onde vivia.
- Após sérias proibições, consegue a aprovação do papa para levar adiante o seu projeto, com a ajuda de algumas pessoas.
- Tereza, encarcerada no convento anterior, e impedida de retornar ao convento por ela fundado, consegue transformar os momentos de dor, sabendo que algum dia, ela sairia dali.
Nesse tempo, sozinha em sua cela, ela escreve:

"Que nada te perturbe
Que nada te apavore
Tudo passa
Só Deus não muda.
A Paciência tudo alcança
Quem tem a Deus
Nada lhe falta
Só Deus basta."

- No posfácio do livro, lemos de Rosa Amanda ( a autora)
"... É a vida de uma menina que numa época pouco propícia à expressão feminina, conseguiu tomar a palavra.
Antes de ser a história de uma santa, é o trajeto de uma escritora, de uma mulher que precisava expressar-se."
Ainda a autora:
"... defender a experiência religiosa individual era atitude que demandava uma coragem extraordinária.
Só mesmo a intensa capacidade de apaixonar-se primeiro por si mesma, mais tarde por indivíduos, em seguida por Deus, depois pela humanidade e manter-se viva por meio da capacidade de doar-se de múltiplas maneiras. Fez com que o nome dessas e de outras mulheres incomuns, chegasse até nós."

- O livro é descrito numa linguagem simples, no estilo pessoal da autora, mas consegue repassar ao leitor a grandeza do caráter de Tereza em toda as dimensões vividas por ela.

Leitura e síntese: junho de 2005 ( resom)

   posted by resomar at 6/27/2005 06:23:55 PM


   Sexta-feira, Maio 27, 2005  







A ÚLTIMA CONFISSÃO,
De Morris West
Edit.Record


Este foi o último livro do autor que foi publicado inacabado, devido seu falecimento em outubro de 1999 aos 82 anos de idade.
O livro com 251 páginas trata da vida de GIORDANO BRUNO, monge dominicano e filósofo, queimado em Roma a 17 de fevereiro de 1600. Foi-lhe dado a oportunidade de abjurar, mas preferiu ser coerente com o que dizia e acreditava.
O livro narra através de um diário, a proximidade da morte de G.Bruno.

- A última confissão de G.Bruno foi escrita em sua cela em Roma, no último mês de sua vida, no ano de 1600.
- Filósofo e pesquisador, Bruno questiona conceitos, dogmas, com o objetivo de abraçá-los com convicção e não com temor e ilusões.
- Em suas palestras, tais colocações provocam repulsas e falsas interpretações em algumas pessoas.
- Tratado pelos Inquisidores com repulsa e desumanidade, Bruno é declarado herético impenitente.
- Seguidor de Erasmo que dizia: Ficarei nesta Igreja até achar uma melhor, Bruno acrescentava: Foi com essa pele que eu nasci. Não posso mudar de cor como um camaleão, para combinar com o tom das folhas. E não o farei.
Continua Bruno afirmando: O primeiro presente que nos é dado e o último que devolvemos é o eu, a essência que distingue cada um de nós de todos os outros, aquela vida que é unicamente nossa.

Diz Bruno em um de seus poemas:
Havia em mim
Aquilo que nenhum século futuro
Negará: que não temi morrer,
Que preferi uma morte corajosa
Uma vida não combatente.

- O livro termina na data de 03 de janeiro de 1600.
- No Epílogo, foi feita uma síntese do percurso final de G.Bruno.
- Com a idade de 52 anos, Bruno continua a ser levado à presença dos Inquisidores.
- No dia 20 de janeiro de 1600, na presença do papa Clemente VIII, Bruno constata que a única preocupação do papa é que o julgamento fosse completado e a sentença pronunciada.
- A recusa de Bruno de abjurar foi punida com a morte na fogueira.
- No dia 09 de fevereiro foi lida a sentença de G.Bruno. Após a leitura, ele diz: Neste momento, cavalheiros, talvez o medo dos senhores por me darem a sentença, seja maior do que o meu ao recebê-la.
- Bruno foi degradado e encarcerado numa das prisões onde abrigava os mais perigosos criminosos de Roma.
- Bruno teria 8 dias para se arrepender, mas em vão, pois permanecia decidido a ir até o fim.
- Em 17 de fevereiro de 1600, fora queimado vivo enquanto os monges cantavam litanias.
- No dia 09 de junho de 1889, alguns professores e alunos da Universidade de Roma, desvelaram no local em que Bruno morreu, uma estátua.

Leitura e resumo: maio de 2005 ( resom)

   posted by resomar at 5/27/2005 04:43:37 PM


   Quinta-feira, Maio 26, 2005  







MERTON NA INTIMIDADE
Sua vida em seus diários.

Editado por PATRICK HART ( monge em Gethsemani e editor geral dos diários.
Editou os volumes um e sete dos diários de Merton.)
E JONATHAN MONTALDO ( diretor do Thomas Merton Center de Bellarmine College, em Louisville, Kentucky. Editou o volume dois dos diários de Merton.)

Traduzido por LEONARDO FRÓES
Editora FISUS Ltda, 2001 ¿ Rio de Janeiro


- Os diários de Thomas Merton foram publicados 25 anos após sua morte acidental em Bangcoc em dezembro de 1968.
- São seleções datadas de 1939 a 1968 ( 2 dias antes de sua morte) que nos revelam a honestidade absoluta de sua vida em todas as dimensões.
- Em suas memórias, Merton nos mostra o quão difícil foi o caminho espiritual. Ele nos conta os desafios maiores de sua vida; seus confrontos; interações; atividades. Estaremos diante de um escritor "comprometido com a arte da confissão e do testemunho, na medida em que ele busca uma espiritualidade contemporânea, autêntica e global."

- O livro possui 427 páginas dividido em 7 partes:
. A história de sua vocação: 1934 - 1941
. Tornando-se monge e escritor: 1941 - 1952
. Perseguindo a verdadeira vida de monge: 1952 - 1960
. Os anos fundamentais: 1960 - 1963
. Em busca de paz no eremitério: 1963 - 1965
. Explorando a solidão e a liberdade: 1966 - 1967
. O fim da viagem: 1967 - 1968

- É um livro onde podemos sentir ter sido o escritor a segunda natureza de Thomas Merton. "Escrever era o seu modo de ver e de provar e até de rezar, como escreve em 25.09.58."
- Nasceu em 31.01.1915 em Prades na França e faleceu, eletrocutado acidentalmente em 10.12.1968 com 53 anos de idade.
- Através de seus diários, alguns foram publicados em vida, outros após sua morte. A Montanha dos Sete Patamares nos leva à compreensão do caminho gradual de ascensão à Verdade.
- Sentimos em seus escritos que Deus o estava dominando, ainda que com seus pecados à sua frente. Acreditava na profunda e imensa compaixão de Deus.
- "Até nas noites mais sombrias, quando sua boca emudecia e o coração se petrificava, seus ouvidos estavam sempre atentos no escuro à voz do Amor, que lhe dava as boas vindas."
- Merton sabia que seus dilemas pessoais, eram universais.
- "Sabia que todos nós ocultamos o mistério das complexidades de nosso coração, não apenas do mundo, mas também de nós mesmos."

- ALGUNS TEXTOS DO LIVRO:

- 13.01.1940:
¿Não faz sentido manter diários, se não houver em nossa vida, uma mudança...
Eles pressupõem que haja algo novo e importante.¿

- 27.09.1941:
"A matéria de uma experiência... Essa você pode descrever, de modo a parecer que a descreve, mas o que realmente você está descrevendo é uma experiência, não esse momento em si, porém sua experiência dele."

- 17.11.1941:
"... nunca inércia é o mesmo que paz: a paz é ordem, harmonia ativas. É vital e não inerte."
"Talvez haja certo valor nos lugares: eles tornam possível que você procure e ache certas coisas em sua alma."

- 24.11.1941:
" A impressão de exílio sangra dentro de mim como uma hemorragia.
É sempre a mesma ferida ( pecado, solidão, fragilidade, sequidão espiritual).
Toda esta tranqüilidade, que não é minha, me espanta."

- 19.03.1948:
" Não ter nada a fazer senão abandonar-se a Deus é amá-lo! É o maior dos luxos.
O silêncio e a solidão são os supremos luxos da vida."
"... mas não há pressa. Deus está oculto dentro de mim."

- 15.05.1949:
"Deus nos faz colocar questões a nós mesmos quando na maioria das vezes Ele tende a resolvê-los."

- 01.09.1949:
"Sinto às vezes que eu bem que gostaria de parar de escrever, como um gesto de desafio... mas parar de escrever de todo, para mim, agora já se tornou impossível."

- 22.12.1949:
" ... uma decisão sem palavras, uma entrega das profundezas e substâncias de mim..."
" ... para pertencer a Deus eu tenho de pertencer a mim mesmo. Tenho de estar só..."

- 03.03.1951:
" Aqui devo rever todos os meus planos absurdos e me aceitar como sou." (Gethsemani)

- 04.07.1952:
Sou confrontado de todos os lados por questões que não posso responder, porque o tempo de lhes dar resposta ainda não chegou.
... o que a noite contém são inexprimíveis murmúrios.

- 17.02.1953:
Qual seria a utilidade da Quaresma, se ela fosse apenas temporária?

- 03.03.1953:
"... descobri os salmos penitenciais. Ninguém os descobre antes de saber quanto necessita deles."

- 29.08.1956:
Devemos abrir mão de tudo para atender a Seu chamado e responder a Sua graça.

- 15.11.1957:
... qualquer vocação é um mistério...
É uma contradição que deve se manter como contradição.

- 29.12.1957:
"... em qualquer tempo, a responsabilidade social é a pedra angular da vida cristã."

- 03.08.1958:
"A vontade de Deus não é uma ¿sina¿, mas um ato criador em nossa vida."

- 02.10.1958:
Temos de nos tornar como somos e parar de viver "fora de nós."

- 12.05.1959:
O que eu procuro é apenas ser, como aqui tudo é. Aqui a palha, aqui a chuva, aqui o silêncio.

- 21.06.1959:
É o medo da incerteza que talvez me deixa intranqüilo.

- 02.12.1959:
Embora me impaciente na espera, sei ainda assim que eu preciso esperar.

- 04.07.1960:
... não há a menor dúvida de que estou totalmente comprometido com a solidão interior.

- 13.12.1960:
Talvez eu seja mais forte quando eu penso. Temo minha força e a volto contra mim para fazer-me fraco. Talvez o que eu mais tema seja a força de Deus em mim.

- 27.06.1961:
É difícil saber com exatidão o que é ser deixado e o que é ser lançado ao mar.

- 16.08.1961:
A vida se move inexoravelmente em direção à crise e ao mistério.

- 23.10.1961:
Estou talvez num ponto de virada em minha vida espiritual.

- 28.04.1964:
Uma coisa é certa - simplesmente estou farto de palavras e folhas datilografadas e impressas, farto a ponto de uma grande náusea.
Farto também de cartas.

- 31.01.1965:
Esta noite, antes de ir para a cama, percebi o que realmente significa a solidão: quando as cordas são largadas e o barco já não está mais preso à terra, mas avança para o mar sem amarras, sem restrições.

- 12.06.1965:
"... estar consciente dos dois extremos em minha vida solitária. Consolação e desolação; entendimento e obscuridade; obediência e protesto; liberdade e aprisionamento."

- 06.10.1965:
Fui chamado aqui para crescer. Morte é um ponto crítico de desenvolvimento, uma transição para um novo modo de ser.
... agora é a hora de ver que grande resistência vem do silêncio ¿ e não sem luta.
Obediência a Deus significa antes de tudo esperar, ter de esperar, esperar pelo Senhor.

- 21.12.1965:
O problema está em aprender a ir por algum tempo, talvez por longos períodos ¿ sem nenhuma resposta!

- 14.04.1966:
Uma coisa me ocorreu de súbito ¿ que nada conta, a não ser o amor, e que uma solidão que não seja simplesmente a total abertura da liberdade e do amor não é nada.

- 19.04.1966:
... tenho de pensar em meu modo de lidar com o problema dessa ternura.

- 02.06.1966
... eu estou apegado e o sei, e minha vida foi profundamente modificada...
... agora sou capaz de aceitar a angústia, o risco, a tremenda insegurança, até mesmo a culpa.

- 19.06.1966:
Sou um completo prisioneiro debaixo dessas estrelas. Com nada. Ou talvez com tudo.

- 05.09.1966:
Aqui estou "eu" ¿ esta colcha de retalhos, este monte de perguntas e dúvidas e obsessões, esta gravitação em torno do silêncio, das matas e do amor. Esta incoerência!

- 14.05.1968:
Não passar correndo de um pensamento ao seguinte, mas dar tempo a cada um para se fixar no coração.
Atenção: concentração do espírito no coração.
Vigilância: concentração da vontade no coração
Sobriedade: concentração do sentimento no coração

Leitura: nov de 2004 a março de 2005
Síntese: abril de 2005 ( resom)


   posted by resomar at 5/26/2005 06:27:27 PM  







GANDHI,
Palavras essenciais
Editora Agir. Selecionado e ilustrado por Beatrice Tanaka, nascida na Romênia em 1932.

O livro contém 47 páginas e traz a seleção de alguns textos de Gandhi. No final, há uma síntese histórica do percurso vivido por ele.

- Mohandas Karamchand GANDHI nasceu em Porbandar ( Índia) em 02 de outubro de 1869 e no dia 28 de janeiro de 1948, aos 79 anos de idade, durante um encontro para orações é assassinado por um hindu.

Os temas abordados no livro são:
- Necessidade do conhecimento de si mesmo
- Urgência da partilha dos bens
- Cansaço das pessoas diante de brutal desigualdade econômica
- Relação possível das máquinas com o ser humano: perigo do domínio
- Significado de democracia: fracos e fortes com as mesmas oportunidades
- A vida é um todo indivisível
- O poder da não-violência # da covardia
- O amor é a força mais sutil do mundo
- Necessidade de dar o passo e não ficar à espera de que os outros estejam preparados.
- O impossível se torna possível: esperança e fé na humanidade

Leitura e resumo: maio de 2005 ( resom)

   posted by resomar at 5/26/2005 05:36:22 PM


   Segunda-feira, Janeiro 03, 2005  

.




EVANGELIZAR,
De José Comblin ( Vozes)


O livro diz respeito aos evangelhos = anúncio de J.Cristo.

- Há portanto três graus do evangelizar: anunciar os evangelhos; os evangelhos anunciam J.C e J.C anuncia o advento do reino do Pai, que é vida e liberdade dos homens.

- Evangelho é permanente, proclamado sempre de novo: o movimento há de renascer constantemente ( movimento de libertação, transformação e superação).
É sempre urgente = anuncia uma transformação que nunca deve acabar nesta história que é nossa.

I - Evangelho de Mateus

Para Mateus, a boa notícia é: "Eis que estou convosco todos os dias até o fim do mundo". (28,20)
- O Reino de Deus é a presença ativa de J* entre os discípulos, que forma, desperta a verdadeira ação.
- Insiste no caráter prático do evangelho.
- O povo de Israel estava consciente de sua vocação e de sua infidelidade a ela. O pecado = infidelidade à vocação, a uma missão recebida de Deus.
Eles queriam saber portanto como libertar-se do pecado, como voltar a ser o povo de Deus.
- Interferem as elites religiosas de Israel, cada uma dando sua resposta.
- De acordo com esses falsos pastores, não há salvação para os pobres e pecadores. J aparece e fala no meio deste contexto.
Sua palavra = denúncia ( falsa lei ensinada) e anúncio ( ensino da lei verdadeira = discurso da montanha).
Ele se oferece como guia. Seu evangelho = proposta do verdadeiro caminho para o povo de Deus.

- Evangelizar é ensinar o caminho da vida, da fidelidade à vocação do povo de Deus. Uma mensagem que abala todas as ortodoxias, arranca o véu da mentira e abre o caminho da verdade.

- A lei é justamente a descrição da ação, logo o povo de Deus é a sua lei, e por isso é importante saber o que a lei é, o que ela prescreve.

- J não vem para argumentar, discutir = vem para confundir todos e denunciá-los como mentirosos, vem para proclamar o verdadeiro sentido da lei que está condensada em : amarás o Senhor teu Deus ( J confia no Pai até no abandono na cruz) e amarás o teu próximo ( lei= justiça, misericórdia, fidelidade)

- Amar a Deus é confiar em seu amor.
- Assim, o evangelho é denúncia de uma falsa lei e anúncio da lei verdadeira.

- Outro aspecto do evangelho de Mateus = apelo para sermos discípulos.
J pede não a perfeição, mas um movimento para a perfeição, ou seja: começar a aprender ( escola dos alunos do Pai). E é um convite a todos.

- O discípulo recebe a luz e começa a compreender e a aprender, quando entra na lei verdadeira = necessidade do empenho e do compromisso.
Ele deve ser engajado de modo definitivo e radical = deixar tudo o que for obstáculo.

- Ser discípulo exige uma opção clara: Não podeis servir a Deus e ao dinheiro ( 6,24 cf 6, 19-23).
É questão de ação e não de palavras, sentimentos.
Não pode voltar para trás ( sacrifício de tudo, até da vida).
É estar pronto para ser perseguido ou martirizado.

- O evangelho de Mateus está resumido nas Bem-Aventuranças, e nos propõe um modelo de vida = o modelo de J.

II - Evangelho de Marcos:

- Marcos deixa o conteúdo e considera mais o ato de evangelizar = J é o pregador, o mensageiro do Pai. Ele é o evangelho do Pai. J pede a Fé, a aceitação dele próprio como o evangelho do Pai.
Crede no Evangelho = Marcos comenta sobre isso e tudo se concentra ao redor disso.

- Os destinatários do livro de Marcos = habitantes do mundo inteiro ( os pagãos) não os judeus.
- O segredo messiânico = presente em Marcos. Por que?
- J sempre soube que os judeus iriam matá-lo.
Marcos nunca explicita o conteúdo do evangelho. Para ele o evangelho = combate contra os seus adversários, atividade de luta contra os inimigos de Deus.
Evangelho = próprio J. reforça os sinais que são vistos como forças que denotam o adversário. ( Mateus não deu tanta importância aos sinais = exorcismos, expulsões de demônios).

- J dispõe portanto de uma força insuperável.
Ele impõe o silêncio: ao demônio, expulsando-o; às pessoas que cura e aos próprios discípulos.

- Marcos concentra o evangelho num ato = conhecer JC e aceitá-lo como Salvador, Libertador.

III - Evangelho de Lucas:

A primeira parte de uma obra em 2 tomos = evangelho segundo Lucas e Atos dos Apóstolos. Acham-se em estreita continuidade.

- Lucas escreve para os cristãos de origem grega, para orientais. É um grego escrevendo para gregos e não um judeu. É o evangelho mais acessível (compreensível para nós).

- Lucas apresenta um quadro conjunto da história: o que houve antes de J (em função Dele); o que há depois de J.
- É um Israel reinterpretado em função de J.
- Lucas lê as profecias a partir de J e os judeus liam J a partir das profecias.
- Ele contempla J mais como homem do que como judeu ou filho de Israel (Filho de Adão).
- Mateus enxerga em J o filho de Abraão.
- No seu evangelho, J fala e age imediatamente para ser visto, ouvido e compreendido pelo homem em geral.

- Tema central do Evangelho de Lucas = libertação dos pobres ( povo/mundo inteiro), que inclui a conversão = mudança total da situação, o fim da opressão. A oposição entre ricos e pobres = nas bem-aventuranças.

- Por que a preferência de Deus pelos pobres?
- Ele o quer assim. A história de Israel = história da predileção de Deus que a escolheu. Era um povo pequeno, fraco, sem força, pobre. A sua libertação é uma luta.

- Lucas salienta muito, como J responde aos inimigos, não com o ódio, mas sim com o amor. ( parábola do Samaritano)
- J aparece como o enviado de deus revestido do poder do Espírito que inicia uma batalha contra os seus inimigos, uma batalha que irá até a morte.

- O problema do sábado = é uma provocação de J, um ato de luta de J contra os seus inimigos. Lucas mostra J vencedor dos seus inimigos.

- Nos Atos dos Apóstolos, Lucas mostra como os apóstolos, através da palavra, conseguem derrotar os seus adversários e impor sua pregação.

- A vitória de J neste combate enfrenta um terrível desafio = o desafio da paixão e da morte.
- Lucas proclama o poder que o Pai deu a J para realizar a sua missão.


IV - Evangelho de João:


O evangelho de João se parece com o de Marcos, dando a impressão de estar em continuidade, mas já está em fase muito mais adiantada.
- Ambos concentram-se ao redor da pessoa de J.

- O objeto do evangelho = próprio Cristo.
A Fé já constitui o essencial da salvação.

- J é a palavra que se apresenta a si próprio. É o próprio evangelho.
O evangelista é apenas instrumento. J precisa da mediação deles para poder evangelizar. Há portanto, tanto em Mc como em Jo, uma eclesiologia que define a Igreja pela evangelização.

- João colocou as palavras em forma de discursos de revelação, escolheu alguns milagres e colocou-os como sinais carregados de sentidos simbólicos.
- J tinha seguidores: alguns discípulos lhe foram fiéis. João diz que ao lado da cruz havia um, com fé, e que acolheu Maria.
Na cruz havia portanto a divisão: de um lado Maria e João ( discípulos crentes), do outro lado as autoridades do mundo ( poderes do mundo).

- A estrutura fundamental do evangelho de João é o simbolismo que une o destino de J com o destino da Igreja no mundo. É o evangelho mais cristológico e o mais eclesiológico.

- No prólogo, exprime a totalidade do tema.
- Deus quer dividir os homens ( julgamento). Eles mesmos irão decidir pela salvação ou perdição. O instrumento da crise é J que obriga o homem a definir-se. A crise é inevitável e está presente de modo bem claro em João.

- Quem não aceita a palavra, J se acha abandonado a si próprio = à Morte e perderam o caminho da vida.

- João radicaliza a mensagem de Mc, que identifica J com o próprio evangelho.
J evangelizava pelo fato de existir e de ser o que era.

-João prolonga essa linha. J anuncia a si próprio e proclama-se a si próprio. A palavra é tudo no evangelho de João = No princípio era a palavra... e a palavra estava com Deus e a palavra era Deus = Prólogo

- João reparte diversos aspectos da palavra, a saber:
a) os discursos de revelação ( Nicodemos, Samaritana, ao povo após multiplicação dos pães, etc ) = em todos os discursos, fala-se de vida. J é a vida, o pão da vida, a água da vida, a ressurreição, a porta, o caminho, o pastor:
b) os sinais = são gestos que falam a mesma mensagem dos discursos. O primeiro sinal = Bodas de Cana; o segundo = cura do filho de um oficial do rei;
c) As obras = atos extraordinários que falam e manifestam também o julgamento de J;
d) Os testemunhos = J é o enviado do Pai. Graças às obras, J pode invocar o testemunho do Pai.
- Há no entanto outros testemunhos: JBatista, das Escrituras, dos próprios discípulos.
- Em João, J faz da sua morte um ato, o ato supremo da sua missão. J evangeliza pela sua morte, que é a palavra mais forte que pronunciou, é o resumo e a substância de todas as suas palavras. ¿ J vem para dissipar a ambigüidade; tornar impossível a neutralidade.
- A condição da vida é a fé.
J pede a fé, apela para a fé, convida à fé.

- A relação entre fé e vida não é uma troca; mas há um laço muito profundo. J pede a fé na sua mensagem de vida; uma confiança na vida. Sem isso, não há mudança possível. A fé é a vida que começa.
- João insiste muito no tema da fé e da vida pela Fé, que consiste em permanecer no amor de Cristo = observar os mandamentos.

- J vem abrir horizontes. Não oferece caminhos traçados. Haverá sempre o risco da morte. J anuncia a vida a partir da cruz. A vida vem pela cruz.


V - O Evangelho de Paulo:

Paulo não escreveu livro com o nome de evangelho.
- O J de Paulo é o J atual, que depois de morrer e ressuscitar, é o salvador e libertador dos que têm fé nele.
Paulo não conheceu a vida terrestre de J, logo não é testemunha.
Ele foi testemunha de J ressuscitado.
- O Evangelho de Paulo se especifica pelos seus destinatários.
- Podemos dividir o evangelho de Paulo em:
a) Evangelho das Nações= Romanos, Gálatas, onde legitima sua missão aos pagãos.
O tema central = Fé, opondo-se à Lei.
O caminho da salvação pela lei é inconsistente. Paulo diz: Estou crucificado com Cristo. Eu já não vivo: é Cristo que vive em mim.
- Quem colocou J na cruz foi a lei.
b) Evangelho aos gregos = em Romanos e Gálatas o evangelho é contra os judeus.
- Preocupação de Paulo com os Coríntios, que se deixam atrair pela eloqüência, novidade, não têm o sentido da unidade; apaixonam-se pela sensibilidade religiosa, indiferentes à imoralidade da vida.
Assim, Paulo precisou falar mais claro sobre algumas normas do Reino de Deus = necessidade de uma Igreja = Corpo, com autoridade.
É o Reino de Deus construído na terra ( comunidade fraterna = Igreja organizada)

c) Síntese = Epístolas do cativeiro = Efésios, Colossenses, Filipenses.

Obs: * J=Jesus
Leitura, síntese: junho/1994 ( resom)

   posted by resomar at 1/3/2005 09:34:44 PM  





A VIDA RELIGIOSA NA IGREJA PARTICULAR,
Da CNBB-Sul ( 1975)


- A comunidade religiosa deve ser sinal para a Igreja e para o mundo; urgindo a vivência da co-participação e co-responsabilidade dos religiosos no apostolado e na pastoral da Igreja.

- Empenhe-se em ser presença viva e atuante...
- Aprofundar o testemunho evangélico de pobreza num mundo como o nosso, trabalhando por graves injustiças sociais.

- Que haja valorização da vida contemplativa, a fim de que suas comunidades se tornem centros de irradiação espiritual e apostólica.

- "Reconhecendo que muitos religiosos e comunidades ainda não tomaram consciência da presença que são chamados a ter na Igreja, seja fomentado um trabalho conjunto para que se torne a mudança de mentalidade ( da parte dos religiosos, clero e leigos) quanto ao sentido e missão da Vida Religiosa."

- A pastoral vocacional começa dentro das comunidades pelo testemunho de vida e abertura dos religiosos a serviço de toda a Igreja.

- Incentive-se o intercâmbio entre as comunidades contemplativas.

Leitura e síntese: junho/1994 ( Resom)

   posted by resomar at 1/3/2005 03:56:39 PM


   Domingo, Janeiro 02, 2005  







A ORAÇÃO DE JESUS,
De José Comblin ( Vozes)


- As tradições evangélicas mais antigas falam só de 2 exemplos de oração de Jesus: no início da paixão ( em Getsêmani) e da morte ( no Calvário).

- Jesus sabia de sua missão: choque, perseguição e morte violenta.
No Getsêmani, ele passou da fase de previsão à determinação concreta. Foi aí a vigília.
- Uma coisa é prever, outra estar diante dos agentes materiais. O corpo humano rebela-se diante do perigo concreto.
- Daí, o tempo de oração, onde a pessoa se disponha.
- É o momento da conversão, não para idéias novas, expressões, opiniões. A conversão é aquela que Jesus leva à perfeição: abandonar o passado, dar uma volta completa sobre si mesmo e se comprometer radicalmente.

- No momento do desafio, todo ser humano se revolta, recua e trata de fugir. Presença do combate interior, entre os 2 homens que lutam entre si. Jesus passou por esse combate.
A oração de vigília = combate.

- Jesus sendo homem, sentiu os laços que iam ser cortados, desfeitos.

- O profeta percebe que a missão o afasta das pessoas, da vida comum, de tudo aquilo que dá conforto e segurança. O passo que vão dar, os lançará na solidão. Terão que aventurar-se no desconhecido. Estão sozinhos.

- Ele mesmo, o profeta, se colocou fora do calor do conforto. A consciência da indiferença, da reprovação geral, cria uma tensão interna que faz o profeta gemer e gritar.
Saber que ele e só ele é responsável por essa situação.

- Assaltado pela solidão, Jesus pede que o ato seja poupado ou adiado. É a provação extrema de Jesus.
Jesus buscava na oração uma consulta a sua missão, preparando-se para o passo seguinte.
Ele foi à montanha para orar e passou toda a noite em oração, sentindo a necessidade de vigiar.

- Deus entrega o porvir do seu reino aos pobres e humildes e não aos sábios e poderosos.

- Todos sentimos o conflito. Caso não tenhamos sentido, é sinal de que já afastamos o cálice para longe de nós, fugindo da nossa missão.
O combate culmina numa aceitação final. O homem apega-se à luz mais profunda que nele havia.

- A aceitação significa que a esperança foi a mais forte.

- Às vezes uma vigília não é suficiente. É humano fracassar e ter que recomeçar. O caminho porém será sempre o mesmo.

- "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?"
- Jesus sente-se abandonado pelos seus, pelo povo simples.
- O temor da solidão absoluta faz com que o homem prefira abdicar de toda a liberdade

- Sentiu o que qualquer homem sentiria. Ele aprendeu a condição humana nas lágrimas e nos gritos.
- Deus responde pelo silêncio. Fica calado, aparentemente ausente. Jesus se sente abandonado e experimenta a solidão humana nos combates desta vida e Deus não interrompe essa solidão.

- A humanidade teme esta solidão humana, nas horas decisivas de sua vida; no tempo da provação, da tentação e da paixão.

- Há um momento em que a vida deixa de ser racional, em que toda racionalização pára. A oração fica então em suspenso na pergunta: por quê?

- A oração da cruz é a forma mais pura da fé. Reconhece a presença de Deus apesar dos sinais de inexistência, do vácuo da experiência.

- Este é o modo da presença de Deus na vida do homem : a presença em forma de ausência.

- A oração de Jesus proclama que o silêncio de Deus é apenas intervalo entre duas palavras. Jesus está disposto a esperar até que o Pai resolva manifestar a sua presença.

- Muitas pessoas não atingem ou atingem muito tarde a etapa da provação. É só aí que se fará a diferença entre fé e incredulidade.

- Deus fica calado. O homem nas trevas, precisa escolher entre 2 vozes: a da revolta e a da esperança.

- O homem pode fechar-se em si mesmo e no próprio sofrimento. Cairá no absurdo da destruição. Ele pode gritar, mas o universo estará deserto e sua voz ressoará no vácuo.

- A fé consiste em esperar uma saída. A fé não enxerga, mas apenas aguarda.

- A queixa de Jesus ( Meu Deus...) exprime também uma esperança. Ele está ausente, mas ele voltará.

- Jesus venceu a resistência do desespero e abriu as portas da esperança. Todos nós podemos seguir o mesmo caminho.

- Para receber a mensagem do Pai, é preciso viver de modo evangélico. A pessoa que aceita entrar nesse modo de ser, começa a perceber as coisas de modo diferente. ( Revelação aos pobres da mensagem de Jesus)

- O olhar muda, deixa de enxergar certas coisas e começa a enxergar coisas invisíveis aos outros.

- O encontro com o Pai é pressentimento que chega a alcançar um estado de certeza sem poder apresentar argumentos sensíveis. É a certeza de quem sabe que está sendo esperado.

- A oração significa essa mistura de preocupação e de confiança.

- O amor será sempre fonte de preocupação e angústia.

- Quem foi iluminado por Jesus, entrou no caminho da vida.
- A missão envolve a todos. O amor não pode poupar o sacrifício das pessoas amadas.

- Os discípulos passam pela tentação do desânimo. Essa é a tentação = tristeza da monotonia ( aparente inutilidade do combate).

- A tristeza procede da solidão da pessoa que sofre o desgaste de uma luta de cada dia.
- Essa tristeza é reservada ao discípulo de Jesus, porque este assiste a divergência entre o realismo do mundo e a sublimidade das esperanças, entre a missão e o campo da missão. Por causa dessa tristeza é que Jesus ora.

Leitura e síntese : junho/1994 ( resom)

   posted by resomar at 1/2/2005 09:24:35 PM  






ESTA SOLIDÃO DE AMIGOS,
De Sérgio Jeremias de Souza , Edições AM, 1991


O livro consta de 39 páginas.
Cada texto escrito é acompanhado de uma figura relacionada e que nos leva a reflexões belíssimas e concretas...

- Na essência, o autor narra o encontro de dois pássaros: Tuímbol e Arnu.
A procura cansativa e persistente de algo a preencher o vazio que habitava em Tuímbol...
No deserto de Hulkalat, ele partilha a sua "maior aventura existencial: o mistério de amar e de ser amado."

- Há um momento em que Arnu pergunta:
E o que você procura, exatamente???
Tuímbol responde:
Presença! E o fita profundamente...

- É um livro simples, colorido, profundo e que nos deixa lições de vida.
É um canto ao amor-amizade; à coragem de ser, tentar e lutar...

- Alguns dados sobre o autor:
Nasceu em Travessão - Santa Catarina - em 07.08.1965
Escreve desde estudante e eis o nome de outras suas obras:
Benina Benunça com dor de barriga ( 1984)
Meu amiguinho Drumps ( 1988)
Uma chama adormecida ( 1989)
O mistério na Lua de Egborn ( 1990)
A Bengala Luminosa ( 1990)
As aventuras dos gnomos Tchulks ( 1990)
Um anjinho apaixonado ( 1990)
Querem derrubar nossa árvore ( 1990)
A menina que entendia os corações ( 1991)
A floresta dos sentimentos ( 1991)

(Re)leitura e síntese: 01.01.2005 ( resom)

   posted by resomar at 1/2/2005 10:29:12 AM


   Sexta-feira, Dezembro 31, 2004  






O ENVIADO DO PAI,
De José Comblin ( Edt.Vozes)


- O quarto evangelho: quem é Jesus?
Este não declara o seu nome. Não diz quem ele é; diz donde vem e aonde vai.
Jesus vem do Pai e foi enviado por Ele.

- Ele se identifica com a sua missão; é o enviado e mais nada.

- O que se nos revela em Jesus é um novo modo de ser humano, o modo de ser autenticamente humano.

- Jesus não tem vida privada. Nunca permanece fora de relações.

- O missionário é o homem dirigido para o Pai, aquele que escuta, que permanece radicalmente atento, que o recebe inteiramente.

- Para ouvir a Deus, é preciso deixar completamente de se ouvir a si mesmo e ficar numa pura espera, numa pura escuta, estar disposto a receber algo novo.

- Jesus é aquele que ouve e vê, aquele que vive recebendo. Tudo o que ele tem é recebido.
- Contudo, Jesus vem: não espera o convite. Ele se impõe. A missão não espera o contexto, mas cria o seu contexto, ela cria a sua possibilidade pelo ato.

- "... e acontece que Jesus obriga a mudar todo o sistema e todas as referências".

- João explica: ninguém o prendeu porque ainda não tinha chegado a sua hora ( 8,20)

- Ser do alto é ser de Deus; ser do mundo é não ser de Deus = são 2 modos de ser.

- Jesus vive a sua missão completamente mergulhado no meio das massas humanas.

- A missão é um revelador= ela manifesta e provoca uma divisão, pois obriga os homens a fazer uma opção.

- A obra de Jesus não é fazer milagre. A ação de transformação corporal é parte dentro de um conjunto mais amplo: a mudança do homem inteiro, a passagem do homem de um estado de trevas e de morte para um estado de vida, capaz de iniciar uma existência nova.

- A missão não consiste em dar aos homens uma salvação acabada. A ressurreição para uma vida nova é tarefa de todos e de cada geração.

- Os limites não servem para reduzir o esforço do missionário e sim para dar a entender a todos os homens que a missão é tarefa de todos.
O missionário dispõe da palavra = suas armas na luta contra o mundo. Ele não está encarregado de ensinar. Ele tem uma palavra para transmitir e essa palavra é a própria missão do Pai que desperta os homens. O missionário recebeu a missão de convencer. A sua palavra é uma luta com o mundo.
Assim, a missão não é uma função social. É a presença ativa do missionário no meio do mundo. É a irradiação dessa presença ativa. Ela emana da pessoa inteira. Ela é a síntese de todo o modo de ser, do modo de estar presente, de toda a expressão ativa de uma pessoa.
Assim, a missão se faz "carne" e torna visível a glória do Filho de Deus.

- A glória de Jesus ( que se fez carne e essa carne consta também de palavras ) é realidade durável, resistente, autêntica, e não brilho.

- Jesus usou alguns atributos para dizer a sua glória:
Eu sou a Luz do mundo... ( 8,12)
Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida... ( 14,6)
Eu sou a porta... ( 10,7.9)
Eu sou o Bom Pastor... ( 10, 11.3s)

- A verdade leva à vida.
Eu sou a ressurreição e a vida ( 11,25).
Eu sou o pão da vida... ( 6,35)

- A glória de Deus manifesta-se por meio de pecadores.
A missão pura não existe.

- O fim da missão é que os homens tenham agora a vida e possam realmente viver. Viver = qualidade do existir. Há no ser humano aspirações fundamentais, razões de existir, valores, modos de ser que respondem a uma vocação.
Viver é realizar tudo isso.
Deus quer apenas que o homem viva. Ela precisa ser vivida e assumida em todas as circunstâncias, como uma tarefa nova que é preciso renovar em cada mudança do mundo e do tempo.

- Em Jesus está a verdade, porque conhecer a Jesus é penetrar no mundo da verdade, é tomar uma atitude que permita penetrar na realidade total.
Um discípulo pode enganar-se, mas não pode viver na mentira.
"Permanecei em mim, como eu em vós... porque sem mim nada podeis."

- Descobrir a verdade não é outra coisa a não ser quebrar os limites e as barreiras do homem fechado em si mesmo para entrar na corrente aberta por Jesus Cristo.

- O julgamento salienta a presença desarmada de Jesus, a sua atuação não-violenta.

- A acusação dos judeus não constitui apenas um episódio histórico superficial. É uma hostilidade que se renova durante toda a História. Houve na perseguição dos profetas e continuará depois na perseguição dos discípulos.

- A hora foi marcada pelo Pai.
- A hora de Jesus é hora da vitória. "Tende confiança: eu venci o mundo." (16.33). É a hora da exaltação.

- A justiça de Deus consiste em perdoar e salvar.

- Os limites de calma e repouso, na História da Igreja, são os tempos de infidelidade. Esses fatos são a própria substância da Igreja.

- A palavra de Deus está presente. Quem busca a luz saberá descobri-la e saberá descobrir o caminho da vida.
A luz refulge nas trevas e as trevas não podem ofuscá-la. ( 1,5)

Leitura e síntese : junho/1994 ( resom)

   posted by resomar at 12/31/2004 08:48:20 PM


   Quarta-feira, Dezembro 29, 2004  






VOZ DOS SEM VOZ
A Palavra profética de OSCAR ROMERO
( Ed.Paulinas)


- Sua voz transformou-se no clamor de um povo massacrado e, num país em que o dinheiro e o poder haviam feito das palavras verdadeiras prostitutas, ele soube restituir-lhes a verdade e a força.

- Deus é a fonte primordial de toda vida, de toda justiça, de todo amor e de toda verdade, e o supremo horizonte para onde todos estes se voltam.

- Como Jesus, estar com Deus, falar com Deus e falar de Deus significavam acima de tudo fazer a vontade de Deus de maneira concreta e efetiva.

- A fé em Deus começa com a defesa da vida aqui e agora.
- Ele fez a palavra voltar a ser o que devia: a expressão da realidade.

- Fez da mudança um veículo para sua fé. Ele soube crescer, mudar, até converter-se.
- Paradoxo cristão: o mistério de Deus se manifesta no que é frágil, no que é pequeno.

- O cunho essencial do ofício de bispo é o de ser testemunha da fé, de modo verdadeiro e profundo. Um bispo deve ser pessoa tal, que os fiéis acreditem no que ele acredita, e que acreditem de maneira tal que se sintam alimentados e fortalecidos na fé... Dar testemunho explícito sempre.

- Com uma compreensão rara e profunda, pedia insistentemente a conversão das estruturas e a conversão dos corações.

- A Igreja não pode ficar indiferente, afirmavam os bispos da América Latina em Medellín ( ago-set.68) diante do clamor emudecido que sufoca a garganta de milhões de homens que pedem a seus pastores que promovam uma libertação...

- É neste encontro com o mundo dos pobres que se encontra a necessidade mais premente de conversão. É o amor de Cristo que nos impele ( 2Cor5,14) que nos impõe uma exigência nítida...

- A mensagem de esperança = chamado à conversão de coração, conversão que se manifesta através de dados objetivos. A mudança do coração torna a pessoa mais humana.

- A Igreja acredita que o reino de Deus equivale a mudança progressiva do mundo do pecado para o mundo do amor e da justiça.

- A Igreja não pode deixar de falar. Não pode, de forma alguma, rejeitar o que Jesus dizia: "O reino dos céus sofre violência e violentos se apoderam dele." ( Mt 11,12)

- Os cristãos têm esperança. "Quem nos separará do amor de Cristo?" ( Rm8,35). Aqui no amor de Cristo, reside o fundamento da nossa esperança.

- "A aspiração à igualdade e a aspiração à participação são duas formas da dignidade e da liberdade humanas." ( Paulo VI na Octogésima Adveniens)

- Ninguém ouse privar, principalmente os pobres, do direito à organização, porque a proteção dos fracos é o principal objetivo das leis e das organizações sociais.

- É papel da Igreja reunir no seu seio tudo o que há de humano na causa e na luta do povo, principalmente na causa dos pobres. A Igreja só se interessa por uma coisa: saber se o objetivo da luta é justo.

- O plano geral da libertação ( pela Igreja): envolve a pessoa inteira, requer a conversão do coração e da mente.

- Não se pode fazer o mal para promover o bem.

- Nossa decadência moral em si é evidente = mistério da iniqüidade. É dever pastoral da Igreja não deixar de denunciar este reino de pecado.

- A Igreja ( Vaticano II) deve ser o "sacramento nacional da salvação" (enxergar as falhas, críticas que irão contribuir para a própria conversão)

- Há três falhas principais na Igreja: desunião, falta de renovação e de adaptação; desrespeito aos critérios estabelecidos pelo evangelho.

- A Igreja, trairia o seu próprio amor a Deus e sua fidelidade ao Evangelho se deixasse de ser "a voz dos sem voz"... Sociedade que prepare o caminho para o verdadeiro Reino de Deus na história.

- É necessário pregar, estimular a necessidade urgente de profundas mudanças estruturais na vida social e política do país.

- A Igreja se sente impedida a buscar a paz. Mas a paz é obra da justiça (opus justitiae pax)

- ¿Nada se perde com a paz; pode perder-se tudo com a guerra.

- A Igreja é histórica, caminha para frente. Não é algo fixo e determinado. A Igreja é peregrina. A palavra de Deus é inesgotável, ela está sempre revelando novas facetas que precisam ser mais bem compreendidas.

- A vida política, como toda atividade humana, precisa de orientação pastoral.

- ... não quero ser nada mais do que um sinal...
... diminuir-me em notoriedade para a palavra eterna do Evangelho poder crescer e triunfar.

- A Igreja é obrigada, por sua missão evangélica, a exigir mudanças estruturais que favoreçam a implantação do Reino de Deus e uma forma mais justa e harmoniosa de vida.

Leitura e síntese: junho/ 1994 ( resom)

   posted by resomar at 12/29/2004 05:36:02 PM


   Terça-feira, Dezembro 28, 2004  





ALBERT CAMUS E O TEÓLOGO,
De Howard Mumma, Carrenho Editorial, S.P - 2002


No início da década de 1950, Camus visitou a Igreja Americana de Paris para ouvir o organista Marcel Dupré. Naquele dia, ouviria também o sermão do metodista Howard Mumma, que estava em Paris a convite daquela igreja. Curioso pela filosofia e teologia de Mumma, Camus o convidou para almoçar, iniciando uma relação não planejada e que seria continuada através de vários encontros, onde alguns temas de teologia e existencialismo seriam refletidos.
Howard também manteve alguns encontros com Jean-Paul Sartre.

- O autor recuperou alguns diálogos, nos apresentando um "texto profundo e agradável", nos conduzindo "com leveza, mas de maneira incisiva, a revermos nossas inquietações existenciais."
- Para Camus "o mistério da vida era uma batalha constante, uma luta contínua para encontrar uma verdade eternamente esquiva, mas que sempre o convidava a tentar mais uma vez."
- O prefácio da edição brasileira do livro, foi escrito por Frei Betto, intitulado - A Fé Humanista de Albert Camus.

Alguns textos do livro:

- Em 1946, Camus declarou a um grupo de cristãos: Não parto do princípio de que a verdade cristã é ilusória. Simplesmente nunca penetrei nela.

- Há um "fastio que se apodera do homem diante do absurdo da vida."

- Camus acreditava no ser humano e essa "exaltação do humano" marca toda a sua literatura, ensolarada pela ênfase na felicidade...

- Diz FBetto: não é o destino que o preocupava, mas o presente, a possibilidade de ser feliz agora.

- "No âmago da minha vida, há um sol invencível. Não há vergonha em ser feliz." Há vergonha em ser feliz sozinho.

- Camus, diria Mumma: "era muito mais um investigador da alma, que procurava um significado para além dele mesmo, e estava aberto a concessões mútuas."
Sartre era mais dogmático.

- As conversas não foram gravadas, mas feitas anotações depois de cada encontro.
O livro foi publicado após 40 anos da morte de Camus, por este ter insistido no caráter confidencial de seus encontros com H.Mumma e aos 91 anos de idade, ¿estou confiante de que os benefícios de compartilhar a sua história sobrepujam a traição da sua confiança.

- No final do primeiro encontro de Camus com Mumma, ele diria: Fui à Igreja Americana por duas razões: primeiro, para ouvir Marcel Dupré, a quem já apreciei muitas vezes na Notre Dame. Em segundo lugar, porque eu estou buscando algo que não tenho, algo que não estou certo nem mesmo de que seja capaz de definir.

- Importante ressaltar que Camus conquistou uma bolsa de estudos na Universidade de Argel, onde estudou Platão, Plotino, Agostinho, Nietzsche, Dostoievski, Kierkegaard e Heidegger. Ele escreveu sua tese de mestrado sobre neoplatonismo, com ênfase em Plotino.

- O que significa o absurdo para Camus?

- O que o levou a um desencantamento?
O que seria a consciência?
- "Sou um homem desiludido e exausto. Perdi a fé, perdi a esperança, desde a ascensão de Hitler."

- Perder a vida é uma coisa sem importância, mas perder o sentido da vida, ver nossa argumentação desaparecer, é insuportável. É impossível viver uma vida sem significado.

- Pecado, diria o reverendo a Camus num de seus encontros , é "tirar Deus do seu lugar central nas nossas vidas e colocar o eu no centro."

- Howard, diria Camus: você se lembra do que Agostinho disse: "Tu nos fizeste para ti mesmo, e nossos corações não têm descanso até encontrarem descanso em ti?"

- "Li ou ouvi uma vez que a Bíblia é considerada a Palavra de Deus, mas não entendo o que isso significa," diz Camus.

- "Vou continuar tentendo."
Camus sempre foi um homem muito reservado e consciente de que "eu mexi com alguma coisa dentro das pessoas": angústia e desespero que todas sentem.
... mas não tenho certeza se ainda acredito nisso...
"Isso, mais do que tudo, é o que me aflige. Esta é a raiz do meu desespero."

- Howard diz: " eu não pude fazer nada além de observar ¿ observar e me desesperar com ele".

- O cap. VI ¿ no apto de Sartre, Howard trata de alguns diálogos de Sartre onde podemos entender as raízes de sua filosofia existencial, quando afirma que "o homem cria a verdade e é um ser fundamentalmente miserável."

- O homem nasce, diz Sartre, como uma criatura de angústia e abandono precisamente porque é uma criatura de responsabilidade... e horrivelmente solitário.
- Howard diz: logo descobri: liberdade é a palavra chave para se compreender Sartre, assim como a palavra angústia.

- Diz Sartre: Todos os homens são obrigados a escolher e tomar decisões.
Ele aceita o Deus que está morto de Nietzsche e o "se Deus não existisse, tudo seria permitido" de Dostoievski.

- "Sim, acredito no amor" afirma Sartre, mas não existe amor à parte dos atos do amor...
"A subjetividade, diz Sartre, tem de ser o ponto de partida" para toda análise filosófica autêntica.

- Camus confessa que "agora considero deficiente a tentativa de Sartre encontrar significado na vida."
Sartre achava que havia encontrado suas respostas. Camus, não... e talvez nunca encontrasse.

- Camus trata do sofrimento: a questão é o que vamos fazer a respeito do sofrimento.
- Apesar de todos os seus questionamentos e angústias, Camus era um escritor otimista a respeito da condição humana.

- "Há homens que aceitam a vida como absurda e ainda assim a amam em sua totalidade..." ( viver apaixonadamente)

- A despedida de Camus ao escritor foi:
Meu amigo, obrigado. Vou continuar buscando.

- Camus nasceu em 07.11.1913 na Argélia. Visitou o Brasil em julho de 1949, conferindo palestras no RJ e SP.
Em 1957 ganhou o Prêmio Nobel de Literatura.
Morreu no dia 04 de janeiro de 1960, vítima de um acidente de automóvel.
- Camus dizia: ironicamente, nada era mais absurdo do que morrer em um acidente de automóvel.
- Há dúvidas se realmente foi um simples acidente.

Leitura, síntese - janeiro/2004 - (resom)

   posted by resomar at 12/28/2004 07:34:41 PM  






OUSAR PARA CRESCER,
Texto de Juvenal Arduini (Pe)


- Ousar é ter iniciativa. É arriscar-se para atingir objetivos de valor...
Ousar é gesto humano, fenômeno construtivo.
Ousar é o agir resoluto, responsável e solidário.
Ousar é soltar-se para buscar o futuro.

- Para ousar é preciso ter razão e ter coragem. Ousar é a força dos que não têm poder.
Ousar é também transgredir. E transgredir é ultrapassar barreiras, é ir além.
Transgredir é inventar alternativas. E ousar é transgredir em favor da humanidade.
Transgredir é alargar horizontes estreitos, é descativar aspirações algemadas.

- O perigo não é ousar transgredir. O perigo é fincar fronteira intransponível.

- Ousar é atravessar fronteiras com responsabilidade.

- Não basta ver, é preciso agir e transformar a sociedade injusta.

Leitura e síntese: 2002 ( resom)
Obs: O texto foi publicado na Revista Vida Pastoral ( Paulus)

   posted by resomar at 12/28/2004 06:02:46 PM  





CRESCER ,
De Henri J.M. Nouwen

- Os três movimentos da vida espiritual

O autor fala que são três os movimentos da vida espiritual:
- A procura por nosso eu inteiro
- A procura pelo próximo
- A procura por Deus

- ... enterramos nossas dores como se elas não existissem de verdade. Sinta sua própria dor!

- Uma relação íntima não exige apenas abertura mútua, mas também proteção respeitosa e mútua da singularidade de cada um.

- Khalil Gibran diz: Cantem e dancem juntos e sejam alegres, mas permitam que cada um também seja sozinho. ( referindo-se ao casamento)

- Aprender a chorar, aprender a guardar vigília, aprender a esperar o entardecer. Talvez seja isso o que significa ser humano.

- ... mas a solidão importante é a solidão do coração; é uma qualidade interior ou uma atitude que não depende de isolamento físico.

- Rilke diz: "O que se passa no interior do seu ser merece todo seu amor."

- O importante é não buscar respostas que não lhe podem ser dadas agora...
A questão é viver tudo e viver as perguntas agora.

- T.Merton disse: a solidão não só aprofunda nossa afeição pelos outros, como é o lugar em que a comunidade verdadeira torna-se possível.

- Sem a solidão do coração, a intimidade da vida não pode ser criativa... Nossos relacionamentos tornam-se carentes, amarrados, pegajosos e não conseguiremos ver os outros como diferentes.
O mistério do amor é que ele protege e respeita a solidão do outro e cria um espaço livre no qual ele pode converter seu isolamento em solidão ( compartilhada).

- Uma vida espiritual autêntica faz-nos alertas e conscientes em relação a tudo o que acontece ( será parte da contemplação) e exige uma resposta livre e sem medo.

- Nossa história deve ser um constante apelo para a mudança do coração e da mente. - Não há esperança na fuga e na recusa... e a nova vida só pode nascer da semente plantada em solo esmagado.

- Na solidão do coração podemos ouvir as dores do mundo, que passam também a serem nossas.
Essa solidariedade interior torna possível a compaixão e nos torna conscientes da nossa historicidade.

- Querer aliviar a dor sem compartilhá-la, é como querer salvar uma criança de uma casa em chamas sem o risco de se ferir.

- Hospitalidade é oferecer amizade sem amarrar o hóspede e liberdade sem abandoná-lo.

- A preocupação é a maneira medrosa de manter as coisas como estão; parece que preferimos uma certeza ruim a uma incerteza boa.

- Para converter a hostilidade em hospitalidade é preciso criar um amistoso espaço vazio... e convidar o outro a um novo relacionamento.

- ... o amor não é uma reação automática; nasce de uma relação que precisa crescer e aprofundar-se.

- Ouvir é uma arte que precisa ser desenvolvida, não uma técnica que pode ser aplicada. Necessita da presença mútua das pessoas. É uma das formas mais altas de hospitalidade.

- Muitas vezes é nosso medo dos momentos ocultos de nossa própria história que nos mantém paralisados.

- A receptividade é um lado da hospitalidade. O outro é o confronto que é o resultado da presença articulada, a presença dentro dos limites, pela qual se oferece como ponto de orientação e quadro de referência. Uma casa vazia não é hospitaleira.

- Receptividade sem confronto leva a uma neutralidade confortável que não serve a ninguém. Confronto sem receptividade leva a uma agressividade opressiva que fere a todos.

- O confronto é muito mais que "falar abertamente". Podemos comunicar muita coisa antes de falar uma só palavra.

- Para o contato livre com o outro, é necessário a pobreza da mente ( espaço interior para ouvir) e a pobreza do coração ( sem preconceitos manter o coração aberto).

- A experiência do outro portanto será um presente.

- A vida é um presente, não para ser possuído, mas compartilhado.

- O óbvio, o que está próximo não precisa de explicação.

- A prece, como intimidade amorosa com Deus é o solo onde a solidão e a hospitalidade deitam suas raízes.

- Necessidade de disciplina para se chegar a uma relação íntima com Deus.

- A prece é um dom de Deus; é "graça" e está ao nosso alcance.

- Simone Weil ( escritora francesa) disse: "A espera paciente e expectante é o fundamento da vida espiritual."

- O mistério da presença de Deus só pode ser tocado por uma profunda consciência de sua ausência.

- A palavra nasce no silêncio e o silêncio é a resposta mais profunda à palavra.

Leitura e síntese : nov/2002 ( resom)

   posted by resomar at 12/28/2004 04:24:56 PM


   Segunda-feira, Dezembro 27, 2004  




O FRUTO DA SOLIDÃO,
De Henri J.M. Nouwen ( Edições Loyola)

Três meditações sobre a vida cristã.

O livro trata de três reflexões originadas de 3 sermões feitos na igreja da Universidade de Yale. Divididas em 3 capítulos, respectivamente: Na solidão; com solicitude e na expectativa.

Alguns textos do livro:
- No coração de muitas tarefas, há palavras de recolhimento.
Em meio à ação, há contemplação. E depois de muita confraternização, há solidão.

- "... pois a amizade e o amor são impossíveis sem uma vulnerabilidade mútua."

- No lugar deserto, Jesus estava livre para fraquejar.

- Na solidão descobrimos que nossa vida não é um bem a ser defendido, mas uma dádiva a compartilhar.

- ... estar presente um ao outro é o que realmente importa.

- Importar-se significa, antes de mais nada, estar presente um ao outro.

- Importar-se = esvaziar nossa xícara e permitir que o outro se aproxime.

- Paciência origina-se de Pátios = sofrer.
A paciência é a mãe da expectativa.

- Alguns dados sobre o autor:



Leitura e síntese: set/2002 ( resom)

   posted by resomar at 12/27/2004 06:29:31 PM


   Quarta-feira, Dezembro 22, 2004  





A VOZ ÍNTIMA DO AMOR,
( uma jornada através da angústia para a liberdade),
De H.J.M.Nouwen

- Há dois extremos que devem ser evitados: estar totalmente absorvido pela sua dor e permitir que outras coisas o distraiam e o afastem da ferida que quer cicatrizar.

- Parte de sua luta é colocar limites para o seu próprio amor.

- Você precisa lamentar as suas perdas para que elas gradativamente desapareçam e você se torne livre para viver em plenitude no novo lugar, sem melancolia ou nostalgia.

- O que hoje é doloroso, pode transformar-se num sentimento que embora de dor, abre para você um caminho para um conhecimento ainda maior do amor de Deus.

- O que você precisa se dispor a experienciar é a ausência, o vazio dentro de você, não aquele que, temporariamente, conseguiu extinguir essa ausência.
Tenha coragem de ficar com a sua dor e confie!

- Seja paciente. Quando se sentir só, fique com a sua solidão.

- Tomar a sua cruz quer dizer, antes de tudo, conviver com as suas dores, permitindo que elas lhe revelem a sua verdade própria.

- O grande desafio é superar os seus sofrimentos, em vez de dissecá-los.
É melhor chorar do que se preocupar. É melhor sentir profundamente as suas mágoas do que entendê-las ...
Melhor deixá-las participar do seu silêncio do que falar a respeito.

- O seu coração é maior do que os seus ferimentos.

Leitura e síntese - out/2002 - resom

   posted by resomar at 12/22/2004 03:31:16 PM


   Domingo, Dezembro 19, 2004  







PODEIS BEBER O CÁLICE?
De Henri J. M. Nouwen


- Beber o cálice da vida envolve o segurar, o erguer e o beber. É a plena celebração do ser humano.

- Contemplar nossa própria vida pertence à essência do ser humano.

- Refletir é essencial para o crescimento, o desenvolvimento e a mudança.

- Segurar o cálice da vida = olhar criticamente para o que vivemos. Requer disciplina rígida.
- O cálice da vida é o cálice da alegria tanto quanto é o cálice da tristeza.
- Quando erguemos nosso cálice à vida devemos nos atrever a dizer: "sou grato por tudo o que me aconteceu e me conduziu para este momento."

- O cálice que seguramos e erguemos, devemos beber = se apropriar completamente e internalizar nossa existência sem igual, com todas as suas tristezas e alegrias.

- Como bebemos o cálice da salvação?
São necessárias 3 disciplinas: silêncio ( nele nos confrontamos conosco mesmos); palavra e ação.

- O cálice que Jesus fala não é um símbolo de vitória nem de morte. É um símbolo de vida, que podemos segurar, erguer e beber como uma benção e um caminho para a salvação.

Portanto, beber o cálice é um ato de amor, um ato de entrega total a Deus que nos dará tudo na medida em que precisamos. Supera qualquer cálculo e toda expectativa humana. Desafia todos os nossos desejos de certeza antecipada. Exige total confiança nEle.

Leitura e síntese em out/2002 ( resom)

   posted by resomar at 12/19/2004 05:05:24 PM  





A HISTÓRIA DE UMA FOLHA,
De Leo Buscaglia


- Não havia duas folhas iguais, apesar de estarem na mesma árvore.

- O que é um propósito?
- Uma razão para existir!
Tornar as coisas mais agradáveis para os outros é uma razão para existir.

- Por que ficamos com cores diferentes, se estamos na mesma árvore?
- Cada um de nós é diferente...

- É isso o que acontece no outono. É o momento em que as folhas mudam de casa. Algumas pessoas chamam a isso de morrer.

- "... tudo morre. Primeiro, cumprimos nossa missão. Experimentamos o sol, a lua, o vento e a chuva. Aprendemos a dançar e a rir. E, depois, morremos."

- " Tenho medo de morrer."
" Não sei o que tem lá embaixo. Todos temos medo do que não conhecemos. Isso é natural.

- A árvore também morre?
- Algum dia vai morrer. Mas há uma coisa que é mais forte do que a árvore. É a vida. Dura eternamente e somos todos uma parte da Vida.

Leitura e síntese: 06.1994 ( resom)

   posted by resomar at 12/19/2004 04:15:26 PM


   Sexta-feira, Dezembro 17, 2004  





MINHA VIDA,
De Lou Andréas Salomé


Extraído do livro:
Oração à Vida

"Tanto como se amam dois amigos
Te amo, vida misteriosa
Que tragas choro ou regozijos
Horas de sorte ou dolorosas
Eu te amo e a teus dissabores
Mesmo que me tires o alento,
Deixo teus braços sem rancores
Com adeuses de amigo atento.
Com força quero-te abraçar!
Acenda em mim as tuas chamas
No afã da luta hás de deixar
Me abrir o enigma da tua trama.
Milênios pra ser e pra pensar!
Abraça-me ter com fervor
Se sorte não vais-me dar
Pois bem, inda tens tua dor."


Volga

"Por longe que estejas: posso ainda te ver.
Por longe que estejas: tu permanecerás
Qual presença que não pode empalidecer,
Qual paisagem, a mim sempre contornarás
Se tuas margens eu jamais tivesse tocado,
Mesmo assim saberia tua imensidão:
Ondas de meus sonhos me teriam levado
À beira de tua infindável solidão."

"Apaga-me os olhos: inda posso ver-te,
Tranca-me os ouvidos: inda posso ouvir-te,
E sem pés posso ainda ir para ti,
E sem boca posso ainda invocar-te.
Quebra-me os braços, e posso apertar-te
Com o coração como com a mão,
Tapa-me o coração, e o cérebro baterá
E se me deitares fogo ao cérebro
Hei de continuar a trazer-te no sangue."

Leitura e síntese: 1986 ( resom)

   posted by resomar at 12/17/2004 05:54:19 PM


about

Vestiram-me de palavras para que eu existisse." (PBonfim). O Confronto na caminhada está limitado por espinhos e nuvens de lamento. São trilhas pensadas e aceitas de braços desarmados. SOMBRAS E DESAFIOS é mais um espaço de reflexão e partilha de sínteses de livros/textos. -É preciso ter coragem, diz KGilbran, de tocar a própria alma e mudá-la de direção." Deixemos o nosso coração à ESCUTA!... 21.03.03-9:15h(resomar)